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O prefeito de Santana, Robson Rocha (PTB), está prestes a comprar uma briga feia com os parentes das vítimas do naufrágio do barco Novo Amapá. A prefeitura decidiu que todos os restos mortais que ocupam as 5 valas comuns do cemitério de Santana serão transferidos para um memorial que deve ser construído num local ainda não determinado. Parentes das vítimas, que não querem ser identificados, acham que a prefeitura deveria fazer uma consulta pública antes de iniciar a demolição.

O problema todo é a falta de espaço no cemitério de Santana. O lugar foi criado em 1977. Em 1981, quando ocorreu o naufrágio matando 390 pessoas (alguns historiadores afirmam que foram 400 vítimas), o cemitério tinha recebido apenas 40 sepultamentos. “Já temos mais de 15 mil sepultados. Temos tudo anotado aqui”, explica Benedito Sanches, um dos coordenadores do cemitério.

Benedito Sanches coordenadores do cemitério

Benedito Sanches coordenadores do cemitério

O cemitério não tem mais espaço para novos sepultamentos. Os que ainda ocorrem são realizados em sepulturas de pessoas que já possuem terrenos no local. Outros enterros estão sendo feitos no cemitério São Francisco de Assis, na BR-210, já em Macapá.

Com a transferência dos restos mortais dos passageiros do Novo Amapá, a prefeitura espera liberar mais espaço para novos sepultamentos, enquanto não inaugura o novo cemitério que será bem mais longe que o atual, do outro lado do Rio Matapi. “Já pedi aos técnicos da prefeitura que façam um trabalho de sondagem no local a fim de verificar se existe lençol freático muito próximo da superfície. A ideia é inaugurar o novo cemitério quando a ponte sobre o Rio Matapi estiver pronta”, explica o prefeito de Santana.

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Cerca de R$ 250 mil, de uma emenda liberada pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL), serão utilizados na construção de um memorial ou no cemitério ou às margens do Rio Amazonas. O duro vai ser convencer os parentes das vítimas que, aliás, nunca foram indenizadas. “Nem ao menos cuidaram direito das sepulturas deles aqui no cemitério. São só grandes valas com gente enterrada. Eu acho errado tirar eles daqui depois de tanto tempo”, diz a irmã de uma das vítimas.

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Ela e mais cinco parentes de vítimas estão organizando um abaixo assinado que será encaminhado à prefeitura solicitando a permanência dos restos mortais no lugar onde estão enterrados há mais de três décadas. “Seria como despejá-los”, acrescenta ela. “Na minha opinião, seria uma forma de reverenciar a memória das vítimas”, pondera o prefeito. Pelo visto, a história do naufrágio do Novo Amapá ainda não terminou.

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