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Em todo o país as árbitras estão presentes nas várias federações de futebol. Já tomaram a direção do campo, e alguns até se arriscam a dizer que são melhores e mais honestas que os homens. As mais belas já até ganharam as páginas de revistas masculinas. Mas e no futebol do Amapá? Elas tem espaço?

Para as sete novas profissionais formadas pela Federação Amapaense de Futebol (FAF) essa já uma pergunta batida, respondida, e banida do futebol. “Claro que temos nossos espaços garantidos, nas quatro linhas somos semelhantes aos homens e nenhuma característica feminina nos impede de exercer a profissão”, assegura Marilene Tavares, juíza de futebol recém-formada e já em atuação.

Em termos gerais essa barreira, em uma realidade nacional, já está derrubada. As árbitras já conquistaram seus espaços. Mas no Amapá agora é que esse mercado começa a se abrir. “Aqui no Amapá ainda estamos engatinhando na derrubada desse preconceito. Aqui pra nós a vida tende a ser mais difícil e desanimadora”, acrescenta a árbitra.

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As juízas precisam aprender a conviver com a falta de respeito de torcedores e jogadores. Os comentários de cunho sexual são muito presentes dentro do campo, e surgem principalmente acompanhados de algum protesto do jogador quanto a alguma marcação da arbitragem. “Volta para o teu fogão”; “vamos dar uma voltinha depois do jogo?” ou o simples beijinho são algumas das situações que as juízas precisam aprender a contornar. “Nós vemos em muitas reportagens que esse preconceito já está banido, mas aqui às vezes somos tratadas com muita intolerância”, desabafa Marilene.

Mesmo com tantas barreiras, as árbitras acreditam que o tempo vai se encarregar de apagar esse tipo de comportamento. Para o vice-presidente da Federação Amapaense de Futebol, Paulo Rodrigues, essa é uma barreira que deve ser rompida à medida que as árbitras ganhem mais confiança. “Sabemos que ainda há um grande preconceito dentro de campo, mas isso não impedirá com que as assistentes estejam cada vez mais presentes dentro das partidas, a começar pelo ano de 2014, em que estarão sendo utilizadas nos campeonatos não profissional e intermunicipal” contou.

Essa presença maior nos campos também serve como estágio probatório e oportunidade para que as árbitras ganhem a experiência necessária para atuar campeonato profissional amapaense. “Elas precisam ganhar mais condicionamento físico e confiança em seu trabalho, antes que possam ser utilizadas em competições que trazem mais responsabilidade como o campeonato amapaense de futebol, principalmente para ter jogo de cintura entre os ditos intelectuais do futebol”, alfinetou Paulo Rodrigues, referindo aos cronistas e presidentes de clubes que criticam a presença feminina nos campos.

Marilene Tavares - árbitra de futebol

Marilene Tavares – árbitra de futebol

Para árbitras como Marilene, a batalha contra o preconceito começa dentro de casa. “Na minha família também encontro comentários machistas. Meu marido brinca que lugar de mulher é no fogão, mas eu não gosto muito. Só que com ele eu me entendo [risos], o problema é mudar a mentalidade das pessoas que se dizem entendedores do esporte”, finalizou.

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