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O reitor da Unifap, José Carlos Tavares, está completando sete anos à frente da universidade. Durante esse período, conseguiu tirar a instituição do estado de letargia. Mais que triplicou a quantidade de cursos implantando entre eles o de medicina. Em 24 anos percorreu todo o caminho possível de busca do conhecimento científico. É formado em farmácia pela UFPA, mestre em fármacos e medicamentos pela USP, com doutorado na Índia e pós-doutorado na Alemanha, também incluiu a Unifap no mapa nacional das instituições que fazem pesquisa na Amazônia. Conduziu uma pesquisa de desenvolveu e patenteou um creme vaginal a base de óleo de copaíba e deve chegar ao mercado e no SUS em julho. Desenvolveu uma tecnologia de extração do princípio ativo do açaí para fabricação de um medicamento antioxidante para prevenir doenças cardíacas.

Com o apoio de organismos internacionais, bancos e da bancada federal (que liberou emendas), conseguiu recursos para montar laboratórios sofisticados, além de conduzir um franco processo de crescimento físico e do quadro docente da instituição, hoje com um grande número de doutores e especialistas. No ano que vem, quando completa dois mandatos consecutivos, José Carlos Tavares não poderá mais se candidatar à reeleição. Filiado ao PC do B, deve tentar uma indicação do partido para disputar as eleições. SelesNafes.com conversou com o reitor no laboratório de Fármacos da Unifap sobre o passado e os planos para o futuro.

SelesNafes.com: O senhor teve a oportunidade de estar em grandes centros do país desenvolvendo pesquisa. Porque decidiu voltar para Macapá?

José Carlos Tavares: Esta consciência aconteceu quando estava na Alemanha. Em Berlim sempre era convidado para falar sobre a Amazônia. E comecei a me perguntar: porque não voltar pra cá, onde há uma grande carência de doutores e pesquisadores na Amazônia? Depois do pós-doutorado, em 2004, a Unifap abriu concurso e tinha uma vaga na minha área de pesquisa. Concorri e fui aprovado.

SN.com: O que era a Unifap na época?

J.C.T: Em 2006 ganhou a eleição para reitor. Quando assumi nós tínhamos apenas 10 cursos de graduação, nenhum curso de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado. Eu estudei a Unifap. Sabia que os desafios eram grandes. A Unifap não se comportava como universidade. Não tínhamos pesquisa e extensão. Hoje nós temos 35 cursos de graduação, 5 cursos de mestrado, 6 doutorados e ainda podemos avançar mais. Vamos inaugurar o campus de Oiapoque e aumentar o campus de Santana. Em Laranjal do Jari será integral. Em Mazagão vamos começar com o curso de ciências agrárias.

José Carlos Tavares, ao lado de um dos equipamentos do laboratório de fármacos da Unifap comprados

José Carlos Tavares, ao lado de um dos equipamentos do laboratório de fármacos da Unifap comprados

SN.com: Onde o senhor conseguiu dinheiro para aparelhar equipamentos tão caros (alguns de R$ 200 mil)?

J.C.T.:O pesquisador dedicado consegue acessar fontes de recursos com projetos. O Banco da Amazônia tem recurso, CNPQ, e participamos de todos os editais, principalmente os voltados para a Amazônia.

SN.com: Qual a vocação da Unifap?

J.C.T.: Tem que continuar crescendo. O próximo reitor tem que fazer seu programa voltado para o fortalecimento da pesquisa e pós-graduação, porque assim contempla diretamente a graduação. Sem cursos de pós você não terá uma graduação forte. Em 2006 não tínhamos nenhum programa de iniciação científica. Hoje temos 5 e ainda temos uma grande demanda porque novos professores e alunos entraram.

SN.com: O senhor é filiado ao PC do B. Comenta-se que o senhor tem pretensões políticas. É verdade?

J.C.T.: Tudo o que você vê de expansão predial deve-se a recursos de emendas federais. Estamos trabalhando na tentativa de lançar um candidato, assim teríamos mais condições que continuar avançando. Outras universidades federais tem seus representantes no Congresso Nacional. Tenho outros convites, como do Ministério da Saúde, Anvisa, e na própria farmacopeia brasileira.

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