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ATRASADO

Chego com pelo menos duas semanas de atraso para ocupar este espaço que me foi reservado no SelesNafes.com.

Confesso que venho receoso, sem saber se darei conta de mais uma tarefa em meu já confuso dia-a-dia.

Apesar de tudo, decidi que não podia recusar o convite do Seles, amigo do peito. Assim, aqui estou.

 

FALTOU ESCLARECER

Para começar, volto um pouco no tempo. Para o início do mês, época da divulgação dos dados da Pesquisa Nacional de Vitimização, feita pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. Pesquisa que aponta o Amapá como o estado mais violento do Brasil.

Incomodado com a informação, o Governo do Estado decidiu reagir prontamente. Como? Pelo caminho mais fácil e também o mais inócuo: Distribuiu à imprensa uma nota de esclarecimento.

Na nota, o governo do PSB argumenta que mais de 80% das entrevistas da pesquisa foram feitas entre junho de 2010 e maio de 2011, referindo-se, portanto, a um período anterior ao da atual gestão.

Baseado nesse argumento, o governo enfatiza que “a pesquisa não reflete a atual opinião da população amapaense”.

É fato. O retrato é mesmo de um tempo passado. Mas e aí? A opinião dos amapaenses, hoje, é de que a situação atual é melhor? Ou pior? Isso a nota não esclarece.

E não esclarece porque não apresenta dados concretos, que possam refutar o quadro revelado pela pesquisa.

Em vez disso, acrescenta, sem estabelecer a ligação entre os argumentos, que “desde o início da atual gestão, o Governo do Amapá investe em equipamentos, viaturas, aumento de efetivo, formação dos servidores da Segurança Pública e, principalmente, adota uma nova estratégia de abordagem que é o policiamento de proximidade, efetivado através das Unidades de Policiamento Comunitário (UPCs)”.

Com essas informações vagas e generalizantes, a nota parece insinuar que em consequência do trabalho do Governo, os índices de violência caíram no Amapá. Sinceramente, não é o que a realidade nos faz crer. Ainda que falte uma pesquisa atual para ratificar essa impressão de que as coisas, na verdade, pioraram.

Certo é que sem basear-se em uma pesquisa nova ou em informações consistentes, pautadas em dados estatísticos referentes aos impactos do trabalho do governo sobre os índices de violência no Amapá, a nota do governo parece coisa do Chacrinha, que costumava repetir: “Eu não vim para esclarecer. Eu vim para confundir.”

 

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