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Passarelas precárias, lixo acumulado, fios elétricos clandestinos ao alcance de crianças, um sistema de encanamento sem água e um amontoado de barracos de madeira seca. Esse é o cenário da área de pontes localizada na 16ª Avenida do Congós, onde na última sexta-feira, 6, aconteceu o mais grave incêndio já registrado na comunidade, e que acabou com a morte de uma criança de apenas 3 anos.

Passarelas precárias dificultaram ação dos bombeiros

As passarelas de madeira estão caindo no Congós. Não há coleta de lixo e a energia é clandestina. (Foto: SelesNafes.com)

Como infelizmente acontece em muitas famílias, mesmo com as de classe média, a mãe da criança saiu na sexta-feira e deixou os filhos sozinhos e trancados dentro do barraco. Uma vela, acendida num momento em que faltou energia, teria causado o incêndio. Os vizinhos ouviram os gritos das crianças e cercaram a casa com baldes de água retirada da própria área de ressaca.

Apesar do esforço dos populares, não foi possível salvar o menino de três anos que foi jogado para fora da casa em chamas pela irmã de 8 anos que está internada em estado grave no Hospital de Emergência. O menino caiu na água e estava com 95% do corpo queimados. O menino morreu a caminho do hospital.

Todas as características da pobreza do lugar contribuíram para a demora no atendimento tanto das equipes médicas quanto de combate ao incêndio. “Já era tarde da noite quando percebemos o fogo, os vizinhos correram para tentar salvar as crianças. Tivemos que pular no lago com baldes para jogar água e esfriar a casa enquanto o Corpo de Bombeiros buscava aproximação. O desespero foi maior quando uma das crianças caiu pela janela”, acrescentou, ainda emocionado o autônomo José Oliveira, vizinho da casa onde os meninos moravam com a mãe e o padrasto de 18 anos que não quis falar sobre o assunto e nem se identificar.

José Oliveira, vizinho da área conta como foi o momento de resgate das crianças

José Oliveira, vizinho da área conta como foi o momento de resgate das crianças. (Foto: SelesNafes.com)

Outro vizinho também descreveu como foi o desespero para tentar salvar as crianças. “Nós tivemos que levar as crianças queimadas no colo até a saída mais próxima da ponte para deixá-las na ambulância”, contou. A polícia investiga se a mãe e o padrasto foram negligentes com a segurança dos menores.

Favela

A área de pontes do Congós é uma pobreza só. As passarelas de madeira, assim como tantas outras espalhadas na capital, estão balançando e prestes a desabar. Para andar nelas com segurança é preciso ter cautela e paciência, ingredientes impossíveis no momento do resgate das duas crianças. “O acesso é tão difícil que quando os bombeiros conseguiram se aproximar da casa o fogo já estava controlado, e os vizinhos já estavam preocupados com o estado das crianças que foram levadas para o Hospital de Emergência”, comentou um morador.

Casa incendiada no Bairro Congós

Quando os bombeiros conseguiram chegar perto da casa, o fogo já tinha consumido tudo. (Foto: SelesNafes.com)

Para o Conselho de Segurança do bairro, a realidade nas áreas de ressaca é cruel, e é necessária uma intervenção da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil para tentar dar mais segurança aos moradores. “O que aconteceu na última sexta-feira foi uma fatalidade, mas assim como essa, outros cinco incêndios já ocorreram desde o meio do ano, e nós precisamos nos atentar. Por ser uma área de grande risco temos que está preparados para evitar grandes acidentes como o que ocorreu no Perpétuo Socorro” contou o presidente do Conselho de Segurança do bairro, José Elenildo da Silva.

O Conselho de Segurança já está se mobilizando para promover uma audiência pública e reunir moradores e autoridades competentes para traçar formas de prevenção, e assim manter a integridade das pessoas que moram no bairro. “Nessa audiência pretendemos ir além, e tratar de outros assuntos que atingem a localidade, como o aumento no número de assaltos e violência dentro do Congós e buscar por pequenos cursos de ação contra incêndio, principalmente para as áreas de ressaca que tem maiores dificuldades em receber um atendimento rápido do Corpo de Bombeiros” conclui.

Fios elétricos aumentam probabilidade de incêndio por curto circuito

Fios elétricos aumentam probabilidade de incêndio por curto circuito. (Foto: SelesNafes.com)

Para essa primeira etapa o conselho está reunindo assinaturas dos moradores para entrar com um pedido formal nos órgãos de segurança pública. E já há uma estimativa para que essa reunião ocorra no dia 16 de dezembro.

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