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Ser guitarrista de uma banda de rock, cursar filosofia e seguir os caminhos do pai como consultor de empresas. Esses sonhos foram interrompidos violentamente na noite de sexta-feira, 29, quando o estudante Júlio Natan Costa, de 15 anos, foi assassinado com uma perfuração no pescoço em frente à Casa do Artesão, durante shows de rock pesado no Festival Quebrar. A notícia rapidamente ganhou força nos noticiários e muitas especulações surgiram sobre os motivos e autoria do crime. Além da dor da perda, a família ainda foi surpreendida por um vídeo postado na internet que mostra o menino agonizando. Pai e mãe lutam agora para descobrir o que aconteceu de verdade.

O consultor Umberto Lima de Sousa tem desmentido que o filho tivesse algum relacionamento amoroso com uma das meninas acusadas do crime. “Existem várias correntes que narram explicações sobre o fato, uma delas é que o motivo teria sido a ex-namorada, que por sua vez é prima de uma das acusadas no crime, proveniente talvez de um desentendimento”, relata ele.

Umberto Lima segura o violão do filho, Natan.

Pai segura o violão do filho assassinado. Foto: SelesNafes.com

Nas redes sociais Natan, trazia traços de um adolescente normal, envolvido em sua tribo de amigos, que pelas citações musicais seriam mais envoltos em um estilo de rock mais pesado, o metal. Para os familiares essa tendência refletia a sua atualmente atividade diária, que era tocar violão horas a fio talvez já premeditando o próximo passo: a criação de uma banda.

Na página de Natan no Facebook, frases e fotos que trazem citações às bandas AC DC, Iron Maiden e a banda espanhola de uma tendência musical conhecida por Power metal, Dreamaker. A página também mostra traços de um menino contestador dos dogmas religiosos, com frases de efeito e a escolha pelo ateísmo expressa em seu perfil. “Meu filho não tinha distinção para fazer amizades, era uma pessoa que tinha amigos A, B, C e D, mas o que importava era o companheirismo, se era amigo, era digno de confiança” lembrou Umberto.

Sobre o assassinato, os familiares sabem apenas o que foi relatado por amigos. “Nós sabemos que a menina que desferiu o golpe nele estava acompanhada de cerca de sete rapazes, que cercaram o meu filho e deram cobertura enquanto o Natan era xingado e agredido fisicamente. Inclusive com uma garrafa que foi quebrada em sua cabeça”, narrou o pai.

Após isso, Natan teria se desvencilhado dos seus agressores com ajuda de pessoas que interviram e conseguiu correr para próximo da Casa do Artesão. Os agressores o teriam encontrado sentado no local, momento em que o golpe fatal foi deferido em seu pescoço. “Um fato foi confirmado: uma das meninas desferiu o golpe fazendo uso de um objeto pequeno, e essa informação encontra-se na investigação, pois algumas testemunhas oculares deram o depoimento. As meninas ainda encontram-se desaparecidas, inclusive tive o contato com a mãe de uma delas. A senhora afirmou que a filha já não morava com ela a cerca de dois anos, e que por isso não sabia onde encontra-la” revelou o pai, segurando no colo o violão de Natan.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Investigação do Menor Infrator (Deiai). As meninas apontadaa como agressoras estão foragidas. O laudo da Polícia Técnica ainda apontará qual o objeto foi usado no assassinato do adolescente. Para a família, só esse laudo, a prisão das acusadas e os depoimentos dos amigos que estavam próximos no dia do ocorrido poderão explicar o caso.

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