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Macapaense da gema, cantor, compositor, escritor, ex-secretário de cultura, pai de quatro filhos e cinquentão. José Miguel de Souza Cyrillo, ou simplesmente Zé Miguel é um dos principais representantes da música popular amazônica. Mas, desde que saiu do cargo público há 10 meses, está sumido do cenário musical e tem sido pouco visto em público. Será que ele está curtindo a vida boa, um sonho de amor, fazendo o que o destino mandar ou vive numa solidão urbana? O SelesNafes.Com destacou a repórter Cássia Dias Lima para descobrir o que esse poeta pérola azulada anda fazendo. O local escolhido para o encontro, tem tudo a ver com o artista: a margem do “rio mais belo”.

Na entrevista concedida ele responde um pouco de tudo e diz estar vivendo uma “aproximação espiritual com Deus”. Confira.

 

Quando a música passou a ser profissão?

Zé Miguel: Eu comecei a cantar aos oito anos de idade na igreja que a minha família frequentava, mas só na década de 80, quando comecei a compor foi que virou minha profissão.

 

O que você sente com o reconhecimento do seu trabalho?

Zé Miguel: Eu fico maravilhado, às vezes acho surreal. Me pergunto se sou tudo isso. Já fizeram artigo cientifico, música, me citaram em livros de poesias, homenagens, às vezes fico pensando se tudo isso é realmente pra mim, parece que é pra outra pessoa, parece uma história paralela. (Responde ele sorrindo)

 

O que você está preparando nesse novo CD?

Zé Miguel: O cd Amazônia na Veia terá 11 faixas. Nele eu procuro ler e abraçar a Amazônia enquanto lugar de ribeirinhos, uma coisa poética e gostosa, não ambientalista. Está muito legal e tem várias participações de amigos do Norte e de outros cantos do Brasil.

 

Como é esse livro de poesias que você está preparando?

Zé Miguel: É algo novo. Alguém disse uma vez que escrevo minha obra como quem escreve uma carta ao tempo, e isso é algo verdadeiro. A nossa vida é passageira e a obra fica, vai influenciar, fazer parte da vida das pessoas e é isso que eu procuro com a minha música. Com a poesia não vai ser diferente, não tenho uma data de lançamento, mas ainda será este ano. Já terminei a masterização e ainda não lancei porque faltam chegar umas autorizações e resolver umas questões financeiras.

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Como foi a experiência política? Durante mais de dois anos você foi secretario de cultura

Zé Miguel: Eu sou um ser político. Tomei a decisão de militar partidariamente porque queria dar a minha contribuição à sociedade. Quando o governador Camilo me chamou para ser secretario eu não acreditei, mas queria contribuir e acabei aceitando.

 

Quais as dificuldades que você enfrentou na sua gestão?

Zé Miguel: Quando eu assumi a secretaria em 2011 contava com um quadro de 279 contratos administrativos. Fomos obrigados a reduzir pela metade os contratos, então o meu quadro caiu para 100 pessoas. Não tinha dinheiro para pagar todos. Outra situação foi o carnaval de 2011, não tinha como fazer. Eu tive a coragem de ir para dentro da Liga de Samba e dialogar, e isso deixou muita gente com o pé atrás porque eu soube que o antigo gestor nem aparecia por lá, mas deu tudo certo.

 

Como você lidou dos ataques a sua vida pessoal?

Zé Miguel: Tinha muita fofoquinha. Foi lamentável aquele momento na minha vida pessoal em 2012, foram vários ataques. Me chamaram disso e daquilo, havia muita pressão mesmo e eu tive que explicar e mostrar para meus filhos que eu não era quilo que diziam.

 

Qual o resultado pessoal desses dois anos e três meses como secretário de cultura?

Zé Miguel: Muitas coisas boas, fiz muitos amigos, onde vou me cumprimentam, me tratam bem, o cargo me deu experiência e um outro entendimento de gestão.

 

Pretende voltar à política?

Zé Miguel: A política é a arte de engolir sapos, e às vezes você tem tanto trabalho em um evento e não consegue reconhecimento da sociedade. Tem que engolir a rejeição de quem recebe o beneficio. Isso é frustrante, mas é a atividade política, eu não pretendo voltar, eu sei que tudo isso faz parte. Mas voltar, não.

 

Já tinha vivido essa fase de aproximação com Deus?

Zé Miguel: Quando era mais novo frequentava a igreja dos meus pais, eu estava lá, era bacana, mas não tinha aquele arrebatamento espiritual, agora eu sinto isso.

 

Quando você sentiu a vida espiritual mudar?

Zé Miguel: No fim do ano passado eu fui num culto, no fim da pregação o pastor falou – Se você não tem certeza da sua salvação venha aqui eu quero orar por você – eu fui tomado por uma emoção indescritível, eu não saberia explicar a emoção. A partir daquela noite eu decidi que seria diferente.

 

Qual a reação das pessoas ao conhecer esse Zé Miguel cristão?

Zé Miguel: As pessoas comentam muito, principalmente o que eu posto no facebook. Eu aproveito para dar opiniões diferentes sobre a Bíblia, mas até agora ninguém me criticou.

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Nessa nova fase pode sair um álbum religioso?

Zé Miguel: Eu não sei. Mesmo porque eu não estou em uma fase de aproximação com a igreja, eu estou com uma relação com Deus. Mas se for da vontade dele, pode ser…

 

Qual é o foco da sua vida nesse momento?

Zé Miguel: Atualmente me dedico a Deus e à minha esposa Silma Santiago, mas tudo na vida segue normal. Quero só apressar o lançamento do Amazônia na Veia antes de junho.

 

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