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O aumento populacional de Macapá não foi acompanhado de investimentos em saneamento, isso todo mundo já sabe. Mas ainda é preciso avaliar com exatidão os estragos ao Rio Amazonas onde todos os dias deságuam toneladas de esgoto sanitário sem tratamento. O estrago só não é maior por causa de uma deficiência que nesse caso passa a ser uma vantagem: a capital tem apenas 3% de cobertura de rede de esgotos, segundo o IBGE.

Para chegar a esse resultado, o instituto levou em consideração os lares que tem água tratada, rede de esgoto sanitário, estrutura para a drenagem urbana e o sistema de gestão e manejo dos resíduos sólidos de Macapá.

A própria Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) admite que a poluição do Rio Amazonas poderá causar danos irreversíveis ao meio ambiente, contribuindo, inclusive, para o assoreamento do leito do rio. A Caesa diz que vai construir uma rede de esgoto para a cidade de Macapá num trabalho que deverá durar seis anos. Com a obra, o esgoto que hoje é despejado no Amazonas passará primeiro por uma estação de tratamento onde fica a bacia de decantação das Pedrinhas.

Mas enquanto a obra não começa, não é apenas o rio que sofre com a poluição. “O Rio Amazonas deságua no oceano, portanto a poluição do rio consequentemente poluirá o oceano”, destaca Renato Brasiliense, gerente da Educação Ambiental do Estado. “A poluição do rio é evidente. Em uma caminhada na orla de Macapá podemos observar várias pessoas jogando latinhas, garrafas, sacos plásticos e outros tipos de lixo dentro do rio sem respeito nenhum com o nosso mais conhecido ponto turístico”, acrescenta.

Em 2008, um estudo realizado pelo Ministério da Saúde e Ministério Público Federal detectou alto nível de poluição do rio. O MPF ajuizou uma ação civil pública contra a Companhia de Água e Esgoto do Amapá visando à proteção do Rio Amazonas, que além de problemas ambientais, traz problemas de saúde.

Segundo relatório do Pronto Atendimento Infantil (PAI), cerca de 90% das doenças infantis ocorre pela falta de saneamento básico, principalmente pela água sem tratamento que cai nas torneiras dos lares e que vem de poços amazonas ou artesianos.

Muito se fala em estado preservado, mas o Rio Amazonas passa longe desse conceito. Todos os anos testes de balneabilidade detectam grande quantidades concentrações coliformes fecais.

Apesar da falta de cuidados  com o Amazonas, o amapaense não abre mão de usufruir do nosso  mais importante patrimônio natural

Apesar da falta de cuidados com o Amazonas, o amapaense não abre mão de usufruir do nosso mais importante patrimônio natural

O problema deveria ser de fácil solução, mas requer vontade política e uma boa dose de cobrança por parte da população. A Lei Federal nº 11.445 de 2007 estabelece que o esgotamento sanitário envolve: infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento.

Apesar de todos os ataques o gigante Amazonas continua majestoso e especialmente divertido, que digam os jogadores de futlama e os velejadores do kitesurf.

 

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