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O esporte embala muitos sonhos, mas também traz desilusões que podem mudar uma vida inteira, como é o caso de Ulisses Laurindo, um ex-atleta com participações em 9 Jogos Panamericanos e 4 olimpíadas. A falta de apoio e condições dignas de treinamento levaram Ulisses a abandonar as pistas de atletismo, onde por muitos anos foi considerado o melhor. Hoje, jornalista, ele lembra com saudades da época que voava pelas pistas do Brasil e de outros países.

Ulisses Laurindo ao lado de um atleta colombiano em uma das muitas competições internacionais que disputou representando o Brasil

Ulisses Laurindo ao lado de um atleta colombiano em uma das muitas competições internacionais que disputou representando o Brasil. Fotos: Álbum de família

Ulisses Laurindo era conhecido como “Gazela”, apelido que conseguiu quando serviu o Exército, mas também poderia ser chamado de filho do vento, e a prova disso foram os oito anos que permaneceu como recordista pan-americano da prova de 400 metros rasos. O ex-atleta diz que a falta de apoio é o pior pesadelo para qualquer esportista. “Com certeza a falta de motivação da equipe e a preparação medíocre foi o que me fizeram parar”, avalia Ulisses, 

“Com certeza a falta de motivação da equipe e a preparação medíocre foi o que me fizeram parar”, avalia Ulisses

“Com certeza a falta de motivação da equipe e a preparação medíocre foi o que me fizeram parar”, avalia Ulisses

, afirmando que quando o Vasco da Gama o contratou para ir as Olimpíadas de Melbourne, na Austrália em 1956, foi que realmente viu a diferença abissal do apoio que os atletas de outros países recebiam em comparação com o que os brasileiros tinham. “Fiquei impactado com a preparação e o apoio dado aos atletas dos outros países. Eu não tinha sido treinado suficientemente para uma competição daquele porte como os outros esportistas que estavam ali”, lembra.

Nas Olimpíadas Militares

Nas Olimpíadas Militares

Ulisses nasceu em Alagoas, mas aos 18 anos foi morar no Rio de Janeiro onde ingressou no Exército. Foi ali que o sonho de ser esportista nasceu. “Comecei a participar das competições no Exército e sempre ganhava. Então começaram a me encorajar para participar de competições maiores”, recorda, hoje com 74 anos.

Ulisses foi campeão e recordista por vários anos da prova de revezamento 4 x 400m no período de 1952 a 1963. Ainda foi campeão sul-americano individual da prova de 400 metros rasos com barreira. Em 1959 foi contratado pelo Flamengo, onde conseguiu a maioria dos títulos da sua carreira. Naquele mesmo ano ele passou no vestibular para o curso de jornalismo pela UFRJ. Os estudos trouxeram novas perspectivas de trabalhar na área esportiva.

Nova profissão

Foi assim que em 1970 ele abandonou o atletismo para se dedicar ao jornalismo. Na nova profissão ele ganhava mais dinheiro que no esporte. “Pra dizer a verdade, se eu continuasse no atletismo eu já teria morrido de fome. O jornalismo pagava mais e eu ainda poderia estar ligado a minha paixão que é o esporte”, revela Ulisses.

"Se continuasse no atletismo teria morrido de fome!"

“Se continuasse no atletismo teria morrido de fome!”

No Rio de Janeiro trabalhou nos jornais Diário Carioca, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e no Última Hora. Constituiu família e, em 2009 veio morar no Amapá. Em dezembro do ano passado foi homenageado em uma obra da Universidade de São Paulo, que será publicada em agosto desse ano.

As boas lembranças do esporte não apagam as dificuldades que Laurindo enfrentou. “Eu amo atletismo, mas não esqueço a falta de compromisso das instituições financiadoras do esporte naquela época. Hoje é tudo diferente. Se começasse minha carreira hoje, com certeza eu correria até não poder mais”, enfatiza Ulisses, certo de que nasceu para o esporte na época errada.

 

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