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A família do modelo Rarison Ricardo Miranda Vitória, 25 anos, está revoltada com a demora na transferência do jovem para uma unidade semi-intensiva fora do estado. Ele foi vítima de acidente de trânsito no dia 16 de novembro do ano passado. Rarison está em coma no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL) com traumatismo craniano encefálico. A família protestou nesta segunda-feira, 17, no Teatro das Bacabeiras durante a solenidade de lançamento da banda larga com fibra ótica. A intenção era chamar a atenção do governador Camilo Capiberibe.

 

Tia de Rarison, Carla Serrano

Tia de Rarison, Carla Serrano

O estado clínico grave de Rarison comoveu amigos que criaram uma página no Facebook (www.facebook.com/unidospelorarison). A página na Internet ganhou notoriedade e é usada para marcar encontros e protestos sobre o caso, como o que aconteceu na cerimônia de lançamento da banda larga. “Nós viemos em busca de resposta. A Secretaria não mantém a família informada sobre o que tem feito em relação ao caso. Queremos o cumprimento da decisão judicial”, denunciava a tia, Ludimila Miranda.

 

Rosely Miranda, mãe do modelo: "Ele (o filho) está com outros pacientes"

Rosely Miranda, mãe do modelo: “Ele (o filho) está com outros pacientes”

Os familiares acusam o governo de descaso. “O secretário de saúde assumiu o compromisso de custear o tratamento. Minha cunhada passou uma semana em São Paulo e conseguiu o leito. Depois de receber o orçamento, o secretário mudou de ideia”, diz a familiar indignada. “A nossa reivindicação é para transferir o Rarison, para que ele tenha tratamento adequado”, completa Rosely Miranda, mãe do modelo.

 

Rarison Miranda está em coma há quatro meses. Segundo a família, o estado dele é ainda mais grave por causa da infecção hospitalar. O modelo está de alta da UTI desde 18 de janeiro. “Ele não é mais paciente de UTI. Por ser um ambiente com alta população de bactérias, o Rarison já foi reinfectado”, diz a mãe emocionada. A família denunciou o caso ao Ministério Público Federal. Foi ajuizada ação civil pública para garantir o direito dele e de outros pacientes na mesma situação. Mesmo depois de três decisões da Justiça Federal, não foi efetuada a transferência do jovem.

 

Parentes e amigos conversaram sobre o caso com o deputado Bala Rocha (Solidariedade)

Parentes e amigos conversaram sobre o caso com o deputado Bala Rocha (Solidariedade)

As duas primeiras ordens judiciais determinaram a transferência do modelo pelo SUS. A família explica que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alegou não ser possível cadastrá-lo no sistema nacional e que não encontrou leito pelo SUS para proceder a transferência. Por conta disso, a Justiça Federal expediu a terceira decisão. Dessa vez, obrigando o Estado e a União a custear o tratamento do jovem no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

 

Rarison sofreu acidente ao voltar de um passeio com outras duas pessoas. O modelo foi arremessado para fora do carro. Segundo médicos, ele precisa de unidade semi-intensiva e reabilitação neurológica. Serviços inexistentes no Amapá, de acordo com laudos de neurologista contratado pela família. “O médico disse que ele precisa ser transferido urgentemente”, declarou a tia do modelo, Karla Serrano.

 

“Todo dia é uma batalha. Na tentativa de descumprir a determinação da Justiça, o Estado está improvisando uma unidade semi-intensiva no HCAL. Mas eles ignoram uma importante recomendação médica: a necessidade urgente de reabilitação neurológica para o meu sobrinho. É disso também que depende a recuperação do Rarison”, reclama a tia, Ludimila Miranda.

 

A Sesa informou através da assessoria que espera respostas do Ministério da Saúde sobre o caso para poder se pronunciar.

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