Compartilhamentos

Agentes educacionais do Centro Sócio Educativo de Internação Masculina (Ceseim) cruzaram os braços na tarde desta terça-feira, 15, para reivindicar melhores salários e condições de trabalho. Eles denunciam que as constantes fugas do Centro acontecem principalmente pela falta de iluminação e baixo contingente de plantonistas no período noturno.

A categoria reclama que há três anos não recebe reajuste real de salário. Os servidores já encaminharam solicitação ao governo do estado para que envie projeto nesse sentido para a Assembleia Legislativa, mas não receberam nenhuma resposta. Eles dizem que o Executivo Estadual nunca encaminhou o plano de cargos e salários da categoria ao Legislativo. “De todas as categorias que sempre entram em negociação com o governo, somos a única que nunca recebeu valor superior ao que sempre é repassado ao funcionalismo público. Isso mostra que somos esquecidos quando o assunto é reajuste salarial”, enfatizou o educador prisional Riverton Barbosa.

Riverton Barbosa

Riverton Barbosa

A categoria também reivindica a ampliação do quadro de servidores dentro do Ceseim. Segundo os trabalhadores, o atual contingente não consegue nem ativar as quatro guaritas de vigilância em uma noite de plantão. “Temos hoje 38 internos, um número que de acordo com a lei de insalubridade deveria dispor de pelo menos nove agentes por plantão. Porém, o máximo que conseguimos são seis agentes por plantão, ou seja, algumas áreas ficam descobertas, o que facilita as fugas. Das quatro guaritas existentes, apenas uma é ativada durante a noite”, acrescentou o agente.

Outro ponto na lista de reivindicações da categoria é a realização de concursos para agentes pedagógicos. A falta desse profissional paralisa as atividades pedagógicas, e o resultado disso é o confinamento total dos internos. Para se ter uma ideia, os internos estão totalmente trancados sem banho de sol desde sexta-feira, 11. Isso acaba estremecendo a situação dentro dos blocos. “A situação no Ceseim está desgastada. Os internos não estão fazendo nada, e isso contribui para que aconteçam desentendimentos com maior facilidade entre eles. Assim aumenta o perigo porque muitos conseguem se preparar com armas caseiras para conflitos que eles causam dentro dos blocos”, contou a mãe de um interno que não quis se identificar.

Os agentes prometem que se não forem ouvidos dessa vez, o próximo indicativo é o de greve nos centros de internação ligados a Fundação da Criança e Adolescente (Fcria).

Compartilhamentos