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Defensores dos direitos dos animais realizaram uma manifestação nesta terça-feira, 15, em frente ao Ciosp do Pacoval. O objetivo do movimento foi de chamar atenção da polícia para o caso do cãozinho Luiz, que foi morto a golpes de terçado, no último domingo, 13, no bairro São Lázaro. O acusado é o engenheiro da Secretaria de Infraestrutura do Estado, Antônio Tieri Farias Cruz, que estaria incomodado com os latidos do animal. O engenheiro confessou ter matado Luiz e responderá por crime ambiental. A família proprietária do animal presenciou o crime.

Luiz tinha pouco mais de um ano

Luiz tinha pouco mais de um ano. Foto/Álbum de família. Foto acima mostra local onde ele foi morto

A dona do animal, professora Ângela Cláudia Miranda, de 35 anos, disse que o cão era dócil e brincalhão. No domingo, 13, ela saiu de casa com dois filhos, um de sete e outro de 13 anos, para ir à lanchonete. Quando voltou por volta das 8 horas da noite avistou o vizinho Antônio Tieri Farias Cruz, chamando o cão pela grade da casa dela. Foi nesse momento que ele levantou o terçado e golpeou o animal. A cena chocou a professora e as crianças que ficaram amedrontadas. “Eu estava entrando na minha garagem, quando ele deu à terçadada. Fiquei em pânico. Quando ele percebeu que eu tinha chegado olhou para o carro e levantou o terçado. A minha reação foi dar a ré. Nesse momento ele correu para a casa dele. Meus filhos não paravam de gritar e chorar dentro do carro”, contou emocionada a professora.

Luiz quando foi adotado pela família

Luiz quando foi adotado pela família

Ela acionou a policia pelo 190, mas a viatura só chegou uma hora e meia depois. Vizinhos que presenciaram o crime dizem que nada justifica tamanha crueldade. “O cachorro não estava fazendo nada pra ele. Acho que deu umas latidas devido ao barulho da festa que vinha da casa do Antônio. O cão era manso. Nada justifica o que ele fez”, afirmou outra testemunha, Ferdinando Oliveira.

Segundo a família do engenheiro, o cão vivia solto e era bravo. “Esse cachorro não tinha nada de dócil, já tinha tentado morder a minha filha e outras crianças da rua. No domingo ele tentou morder minha enteada que estava de aniversário. O Antônio foi lá e ele tentou morder meu marido. Se não queriam que nada acontecesse que amarrassem o vira-lata”, declarou a esposa do acusado, Keila Brito, de 24 anos.

Manifestação de entidades de defesa dos direitos dos animais

Manifestação de entidades de defesa dos direitos dos animais

A morte do cãozinho indignou ativistas da organização não-governamental “Proteção Animal” que repudiaram a atitude do engenheiro. “Tomamos conhecimento da história pelo Facebook. Vamos nos manifestar até esse covarde ser preso. Vamos fazer de tudo para que esse caso seja o primeiro levado à Justiça no Amapá para que outras pessoas desequilibradas pensem duas vezes antes de atentar contra a vida de um animal”, argumentou a ativista da ONG, Beatriz Melo.

Beatriz Melo, ativista: "vamos fazer de tudo para que esse caso seja analisado pela Justiça"

Beatriz Melo, ativista: “vamos fazer de tudo para que esse caso seja analisado pela Justiça”

Como no estado não há delegacia de proteção aos animais, o crime foi registrado na Delegacia de Meio Ambiente (Dema). Segundo a delegada Eliana Chaves, o engenheiro Antônio Cruz relatou em depoimento que o animal teria atacado sua filha e como estava embriagado tomou tal atitude. “Ele confessou ter matado o cachorro Luiz. Disse que foi uma atitude precipitada porque estava bêbado. Mas as testemunhas disseram que em momento algum o animal atacou alguém. Ele já foi indiciado com base no artigo 32 do Crime Ambiental e a partir de agora o caso será encaminhado ao Juizado Especial Criminal”.

Delegada Eliana Chaves: "ele disse que se precipitou porque estava bêbado"

Delegada Eliana Chaves: “ele disse que se precipitou porque estava bêbado”

De acordo com a delegada, crimes como o do Luiz são comuns no estado. Apenas em 2014, quatro casos já foram registrados, no ano passado foram mais de 10. “Esse não é o primeiro caso, e nada justifica uma atitude dessas seja contra pessoa ou animal. Foi bárbaro o que ele fez. Casos assim não podem ficar impunes. A sociedade tem que denunciar e se manifestar”, concluiu a delegada.

Nossa equipe de reportagem tentou falar com Antônio Tieri Farias Cruz, mas assim que terminou o depoimento ele saiu pela porta dos fundos da delegacia escoltado por um irmão dele que é policial.

Em crimes como esse, a pena máxima é detenção de três meses. Uma audiência sobre o caso está marcada para o dia 30 deste mês. Para o defensor dos direitos dos animais, Homero Alencar, da ong Força Animal, crimes como o do Luiz são gravíssimos e os culpados devem ser condenados. “Temos conhecimento de vários casos. Cães e gatos mortos envenenados ou vítimas de tiros e facadas e até estupro. A justiça tem que punir esses desequilibrados”.

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