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A farmacêutica Maria da Penha, que deu nome à lei que assegura direitos à mulher vítima de violência, participou em Macapá nesta quarta-feira, 30, das comemorações ao Dia Nacional da Mulher. O evento é realizado pelo Ministério Público Estadual. Durante uma coletiva à imprensa, Maria da Penha falou dos anos que sofreu nas mãos do ex-marido e da luta que travou pela prevenção e combate a violência contra a mulher.

A cearense Maria da Penha sofreu agressões físicas e psicológicas de seu ex-marido em 1983. Ela lembrou que na última vez, o marido não ficou satisfeito apenas com as torturas, e acabou lhe dando um tiro que a deixou paraplégica. Ela denunciou o caso à Justiça no mesmo ano, mas o autor das agressões só foi condenado 19 anos depois.

Fila gigantesca no Museu Sacaca para ouvir a palestra de Maria da Penha

Fila gigantesca no Museu Sacaca para ouvir a palestra de Maria da Penha

Maria da Penha é um símbolo de luta contra a violência doméstica, e diz que a lei que tem o seu nome não tira o peso de todo o passado violento que sofreu. “Quando meu caso ganhou destaque, eu pensei em várias coisas. Fiquei com vergonha de me expor porque onde passava me apontavam o dedo e diziam que eu tinha apanhado do meu marido. Mas dei a volta por cima e quero que outras vítimas de violência também entrem nessa luta. Não é fácil esquecer toda a tortura do passado, é uma coisa que levamos para o resto da vida. E a minha batalha é não deixar que isso aconteça com outras mulheres”.

O Centro de Justiça pelo Direito Internacional e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher tomaram conhecimento do caso de Maria da Penha e fizeram denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), que é um órgão internacional responsável por ações decorrentes de violação dos direitos internacionais. Por esse motivo em 1994, Penha publicou o livro “Sobrevivi…Posso contar”. Foi por meio do livro e da dimensão do assunto que o Brasil foi obrigado a mudar a legislação, criando em 2006 a Lei Maria da Penha.

Maria da Penha: "Onde eu passa me apontavam o dedo"

Maria da Penha: “Onde eu passava me apontavam o dedo”

A farmacêutica se engajou na causa e hoje dirige um instituto que leva seu nome. O Instituto Maria da Penha serve de suporte para ações de defesa e acolhimento de mulheres vítimas de agressões. Penha já viajou o Brasil inteiro e já foi há vários países para contar a sua história, e com isso ajudar milhares de vítimas de violência doméstica.

Maria da Penha deixou um recado para as mulheres que ainda temem pela vida e se calam: “Mulheres criem coragem e denunciem. Não deixe que a sua vida e da sua família seja destruída por atitudes e palavras violentas. Quem ama cuida, e nós mulheres merecemos todo o cuidado. Disque 180 e se informe dos seus direitos. Mesmo que seja ameaçada ou coagida tome atitude”.

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