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Seguindo a tradição, o Ciclo do Marabaixo do bairro Santa Rita, antiga Favela, inicia neste fim de semana e prossegue até o mês de junho. A Associação Berço do Marabaixo prepara os festejos religiosos e lúdicos na casa da Dona Natalina, que todo ano realiza a programação junto com os festeiros, que em 2014 está a cargo de Loren Mendes e Marinês Lopes, descendentes dos primeiros moradores de Macapá. No sábado da Aleluia elas recebem os convidados para a festa, que inicia com a inauguração da Biblioteca Cultural Gertrudes Saturnina.

Vale ressaltar que na Favela somente a Santíssima Trindade é louvada na festividade, que começa agora e só termina no dia de Corpus Christi. Ela é um dos mistérios da crença católica, que acredita em um só Deus, formado pelo Pai, Filho e Espírito Santo. Familiares contam que dona Saturnina fez uma promessa para Santíssima pedido que sua filha Natalina engravidasse, e com a bênção alcançada, foi feito um almoço para doze crianças, que representam os apóstolos. Esse ritual se repete até hoje.

Atualmente, para garantir a manutenção da cultura sem causar problemas para a comunidade, algumas adaptações tiveram que ser feitas. Hoje os fogos só são estourados até 22h nos dias de festa, e o aparelho que reproduz o som das caixas de marabaixo não fica no volume máximo. Os bailes dos sócios foram substituídos pelas rodas de marabaixo alternativo, e, para ajudar a preservar o meio ambiente, somente um mastro é tirado no Curiaú, o outro é em acrílico. Outra medida é o incentivo dado para que as crianças tragam da mata muitas mudas para serem plantadas no bairro.

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Este ano uma iniciativa da Associação vai contribuir para a preservação da história. No sábado de Aleluia, às 16h, será inaugurada a biblioteca Gertrudes Saturnina com literatura e obras de artistas voltadas para a cultura afro. Logo após inicia o marabaixo que encerra à meia-noite. A programação continua no dia 30 de abril. Em maio serão mais duas rodadas. E no mês de junho, quatro rodadas completam o ciclo.

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