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O incêndio que atingiu sete embarcações na madrugada desta sexta-feira, 11, no porto do Igarapé das Mulheres, aconteceu depois da explosão do barco José Felipe, onde estavam armazenados 14 mil litros de óleo diesel em carotes. O Corpo de Bombeiros acredita que faíscas de carga elétrica de uma bateria teriam atingido o combustível causando a explosão. Esse combustível seria transportado para a ilha de Anajás, no Pará. Quatro pessoas ficaram feridas, uma delas gravemente.

O acidente volta a trazer para debate o transporte ilegal de combustível pelos rios da Amazônia. Esse é o segundo acidente dessa natureza no mês de abril. No último dia 4, um barco explodiu no canal das Pedrinhas matando uma pessoa.

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De acordo com o Batalhão Ambiental, as comunidades ribeirinhas necessitam de energia elétrica que é fornecida através de geradores à diesel. “Como não há energia elétrica na maioria das comunidades do interior, os donos de embarcações transportam ilegalmente combustível para alimentar os geradores. Trabalhamos de maneira pontual, mas percebemos que muitas comunidades são afetadas por esse problema”, esclareceu o comandante do Batalhão Ambiental, Valdoci Mendes da Silva. Ele ressaltou que as fiscalizações acontecem, mas que é impossível estar em todos os portos ao mesmo tempo.

Fragata da Capitania dos Portos, Lúcio Masques

Lúcio Marques – Capitão de fragata da Capitania dos Portos

Por outro lado, a Capitania dos Portos também vem atuando nas fiscalizações. Só este ano, a Marinha já inspecionou cerca de 800 embarcações, 200 foram notificadas por documentação atrasada e 35 apreendidas por navegar sem documentação ou transportando ilegalmente alguma carga. Ao todo no estado, 9.500 embarcações são regulamentadas pela Marinha. “O transporte e o armazenamento irregular de combustível também são o nosso foco, já que trata-se de um produto altamente perigoso para ser transportado nas embarcações. O risco está no armazenamento inadequado em carotes que ficam junto com outras cargas e até com passageiros”, argumentou o capitão de fragata da Capitania dos Portos, Lúcio Marques.

Para o Batalhão Ambiental, a alternativa para essas comunidades seria o investimento privado. “Para acabar com esse transporte ilegal e evitar acidentes como o de hoje, é necessário que empresas invistam em postos móveis de venda de combustível. Além disso, o governo deve fomentar ou fazer com que a energia elétrica chegue a essas comunidades de outra forma”, ponderou o coronel, Valdoci Silva.

Valdo Dias e Arildo Souza limpando o barco Deus te Guie

A Capitania dos Portos vai abrir inquérito para investigar o acidente no Igarapé das Mulheres. Com base no fato de que o transporte de combustível é ilegal, a Marinha vai focar nos responsáveis pela venda do diesel. “Neste caso, o posto de revenda de combustível não tem nenhum píer, o que também é ilegal. Vamos abrir um inquérito a fim de determinarmos as causas, identificarmos os responsáveis, e averiguar como e por quem esse combustível chegou até a embarcação”, enfatizou o capitão Lúcio Mendes.

A explosão do barco José Felipe ocorreu por volta 2 horas da madrugada. Os bombeiros chegaram logo em seguida, mas o fogo já havia se alastrado. Quatro pessoas em estado grave foram levadas ao Hospital de Emergência: Sanção Leão, 25, André João da Costa, 27 anos, Iranildo Carmo, 38, e Andressi João da Costa, 27 anos, com 70% do corpo queimado, e apresenta o estado mais grave, inclusive já foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Até o início da tarde de hoje equipes do Corpo de Bombeiros ainda estavam no local da explosão, enquanto os proprietários das embarcações tentavam recuperar o que restou. Valdo Dias e Arildo Souza trabalhavam na limpeza do barco Deus te guia, que foi parcialmente queimado. “Graças a Deus não nos ferimos. Na hora da explosão estávamos dormindo na casa de um amigo. Assim que soubemos viemos para pra cá, e agora que o Corpo de Bombeiros liberou o barco, estamos limpando para ver o que recuperamos.”

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