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O número de vítimas de escalpelamentos em embarcações nos rios do Amapá diminuiu bastante nos últimos tempos, mesmo assim no ano passado três mulheres ainda foram vítimas. Em 2014 ainda não há registros, mas o problema, que depende da conscientização e responsabilidade dos barqueiros, ainda está longe de ser erradicado. Nesta sexta-feira, mais uma mobilização reuniu a Capitania dos Portos e a Associação de Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento na Amazônia. O trabalho foi de abordagem de embarcações para a cobertura de eixo do motor, a parte do barco que arranca cabelos junto com a autoestima das mulheres ribeirinhas.

Eixo do moto isolado pela proteção instalada por militares da Capitania dos Portos. Medida simples que evita  sofrimento para o resto da vida

Eixo do moto isolado pela proteção instalada por militares da Capitania dos Portos. Medida simples que evita sofrimento para o resto da vida

As maiores vítimas desses acidentes são mulheres, mas há registro de homens e crianças. Apesar de todas as campanhas de esclarecimento e fiscalização realizadas nos últimos anos, a Capitania dos Portos calcula que nem a metade das embarcações do estado possua proteção no eixo do motor. “De 2010 até o presente momento, cerca de 900 embarcações já fizeram essa cobertura de eixo. Tem muitas embarcações que não estão inscritas na Capitania. Outro agravante é o grande fluxo de barcos do estado do Pará. Acreditamos que metade dessas embarcações não tenha proteção no eixo do motor”, estimou o tenente Fabiano Gonçalves Cresp, da Capitania dos Portos.

Rosinete Salomão, presidente da Associação de Mulheres Escalpeladas: troca de experiências

Rosinete Salomão, presidente da Associação de Mulheres Escalpeladas: troca de experiências

Durante as abordagens, militares da capitania instalam uma peça fabricada especialmente para isolar o eixo do motor do contato com as pessoas que estão no barco. Neste sábado, 5, a mobilização da campanha “Nos rios que transportam vidas e riquezas tem que se navegar com segurança” continua com palestras sobre o assunto na sede da associação, no Igarapé das Mulheres. A Lei 11970, de 2009, torna obrigatória a proteção do motor que é instalada gratuitamente pela Capitania dos Portos durante todo o ano.

Socorro Damasceno, fundadora da associação: "nos julgam pela aparência"

Socorro Damasceno, fundadora da associação: “nos julgam pela aparência”

 

A fundadora da associação, Socorro Damasceno, acredita que a cobertura evita danos para toda a vida. “Convidamos todos que ainda não possuam essa proteção. É bom lembrar que o equipamento e a instalação são gratuitos. Sem contar que os danos causados são irreparáveis: preconceito e falta de oportunidade da sociedade que nos julga pela aparência”, ressaltou.

Desde a fundação da entidade, em 2007, 119 mulheres estão associadas. A entidade ajuda a enfrentar essa nova realidade para quem sofreu escalpelamento. “Queremos convidar os barqueiros, ribeirinhos e as vítimas para debater o assunto. Essa realidade não é fácil de aceitar, por isso é extremamente importante a ajuda da entidade. Estamos aqui para trocar experiências”, afirmou a atual presidente da associação, Rosinete Salomão.

Capitania calcula que metade dos barcos ainda não possui a proteção do eixo do motor

Capitania calcula que metade dos barcos ainda não possui a proteção do eixo do motor

Durante a ação desta sexta-feira, vários barcos receberam a proteção. O pescador André Almeida da Silva, que reside na ilha das Pacas (Afuá), também teve a peça instalada em sua embarcação. “Sei da importância. Eu achei ótimo, não paguei nada e posso transportar minha família com mais segurança”.

 

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