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A pororoca do Rio Araguari não existe mais. Quem afirma é o secretário de Ciência e Tecnologia do Amapá, Antônio Cláudio Carvalho. A pororoca que havia na região, considerada a maior onda em extensão do mundo, hoje só pode ser surfada às margens da Ilha do Maracá e Rio Livramento, no município de Amapá. De acordo com estudos que envolvem órgãos como a Sema, Iepa, Embrapa e Imap, o surgimento de um canal – chamado de “Canal do Araguari” – impossibilita a entrada de água do Oceano Atlântico no continente, e isso impede que a pororoca ganhe força. De acordo com as pesquisas, o fenômeno é resultado das mudanças climáticas e da criação de búfalos na região, e traz graves consequências para a região, entre elas a salinização do Rio Araguari.

Grupo de pesquisadores de vários órgãos tenta encontrar respostas

Grupo de pesquisadores de vários órgãos tenta encontrar respostas

A pororoca era o resultado do encontro das águas do Oceano Atlântico e do Rio Araguari. A força do encontro da água doce com a salgada provocava ondas com velocidade de até 15 km por hora, e se estendiam por até 3 km. O fenômeno incomum ficou conhecido mundialmente pelos surfistas que criaram o Circuito Mundial da Pororoca. Foram eles os primeiros que constataram o fim da onda gigante.

O problema da pororoca, suas causas e efeitos, começaram a ser foram debatidos na última segunda-feira, 12, em reunião no escritório do Instituto de Pesquisas Cientificas e tecnológicas do Amapá (Iepa), na Fazendinha. Na discussão foi enfatizado que o desaparecimento da pororoca no Rio Araguari é considerado raro em termos globais. O resultado dos estudos de dois anos ainda não foi publicado, mas já existem causas e efeitos definidos. “O canal do Atlântico que trazia águas do mar e provocava a pororoca na foz do rio Araguari fechou. Esse processo de sedimentação foi causado naturalmente pelas correntes marítimas. Mas, analisando de forma mais especifica, percebemos que a criação de búfalos na região evidenciou novas rotas para o mar entrar no continente. Isso tudo foi acelerado pelas mudanças climáticas e o derretimento das geleiras no ártico”, explicou o secretario de Meio Ambiente, Grayton Toledo.

Secretário de Ciência e Tecnologia, Antonio Cláudio Carvalho

Secretário de Ciência e Tecnologia, Antonio Cláudio Carvalho

A fim da pororoca no Araguari não é apenas uma preocupação para turistas e surfistas. Com o fechamento de um canal, e abertura de outro, vem a grande problemática nisso tudo: a salinização da água doce. De acordo com dados do Iepa, Cutias do Araguari já sofre diretamente com a salinização da água. A pesquisa revela ainda, que existem riachos e igarapés que já possuem 83% de água salgada. Para o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Antônio Cláudio Carvalho, o fenômeno não existe mais, e isso pode acarretar consequências graves em longo prazo. “Teremos a invasão cada vez maior de água salgada nos rios, o desbarrancamento de parte do arquipélago do Bailique e claro, a falta de água doce para centenas de famílias”, argumentou.

O canal do Araguari, como foi chamado o novo canal, já possui tamanho gigantesco. Segundo o relatório da Sema, há um mês o canal possuía 30 metros de profundidade, 17 metros de largura na entrada do Araguari e mais de trezentos metros de largura ao desembocar no Oceano Atlântico.

O fim da pororoca foi acelerado pela intensa atividade pecuária que existe na região dos municípios de Amapá e Cutias do Araguari. No caso deste último, principalmente a criação de búfalos. “A criação de búfalos nessas áreas pode ter acelerado o processo de abertura de um novo canal, pois sabemos que por onde um animal pesado passa abre-se uma vala, que aos poucos vai sendo alargada aumentando de tamanho”, concluiu Antônio Cláudio Carvalho.

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