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O tráfico internacional de pessoas movimenta 32 bilhões de dólares por ano em todo o mundo, segundo a Organização internacional do Trabalho (OIT). Cidades que ficam nas fronteiras são rotas do tráfico, principalmente de mulheres e adolescentes entre 11 a 25 anos. O assunto começou a ser debatido na manhã desta quarta-feira, 21, no painel “Mulheres e homens pela paz e contra o trafico de mulheres e a violência sexual”.

Estima-se que cerca de 500 mil pessoas são traficadas de países em desenvolvimento para países desenvolvidos todos os anos. Os países que mais “exportam” pessoas são Gana, Nigéria, Marrocos, Colômbia, Tailândia e o Brasil. Isso mesmo, o Brasil está na rota internacional do tráfico humano. O debate, que já passou por seis cidades brasileiras, chegou com uma proposta diferente no Amapá. A de alertar as autoridades e a sociedade locais para o risco que o estado corre de se tornar rota, por fazer fronteira com o Platô das Guianas.

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De acordo com dados da ONG Associação Mulheres pela Paz, cerca de 85% das pessoas traficadas e 55% dos aliciadores no Brasil são mulheres. “Um dado interessante é que mulheres vendem mulheres. O que queremos com esse debate é alertar para o fato de que somos muito vulneráveis em função de estarmos em uma região de fronteira. E com a ponte binacional aberta esse perigo cresce ainda mais”, avaliou a diretora do Centro Cultural Franco Amapaense Daniele Miterrand, Josiane Ferreira.

Segundo o Ministério da Justiça o tráfico de pessoas é a terceira maior renda clandestina no Brasil, perdendo apenas para o tráfico de drogas e armas. Em 2011 foram instaurados 157 inquéritos policiais pra investigar tráfico internacional de pessoas, 344 de trabalho escravo e 13 de tráfico interno.

Vera Vieira

Vera Vieira

O foco do debate no Amapá são os direitos humanos das mulheres em conexão com o tráfico, violência e drogas. “Muitas mulheres traficadas são obrigadas a usar drogas, são violentadas física, sexual e psicologicamente. Nós estamos falando de uma rede bem organizada e estruturada que dificilmente é punida. Queremos políticas públicas que ajudem a sociedade a se prevenir desse problema”, ponderou a diretora da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira.

Clara Charf

Clara Charf

O grande destaque no primeiro dia do evento foi a participação da presidente da Associação Mulheres pela Paz, a ativista Clara Charf, de 88 anos, que foi exilada durante o regime militar, além de ser viúva do guerrilheiro Carlos Marighella. Desde 1945 ela vem lutando contra o envio de brasileiros para o exterior e decidiu fundar a associação para tentar combater o problema. “Esse debate é antigo. Precisamos fortalecer a rede de serviços contra o tráfico humano e combater a violência contra as mulheres. O Amapá precisa estar alerta para esse problema”, enfatizou Clara.

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