Compartilhamentos

A polêmica gerada pela decisão da prefeitura de Santana de transferir para outro local os restos mortais das vítimas do naufrágio do Barco Novo Amapá parece estar perto do fim. Parentes das vítimas se encontraram com senador Randolfe Rodrigues (PSOL) e pediram dele apoio para que não haja remoção. No encontro, eles ficaram sabendo que o dinheiro de uma emenda que seria usado na construção do novo sepulcro foi perdido por falta de apresentação de um projeto da prefeitura.

No início do ano, o prefeito de Santana, Robson Rocha (PTB) anunciou a transferência para um memorial dos restos mortais que estão no cemitério de Santana.  Objetivo seria homenagear os mortos, mas, principalmente, abrir novas áreas para sepultamentos no superlotado cemitério da cidade. O anúncio causou indignação entre os parentes das quase 400 vítimas da tragédia. Familiares chegaram a fazer atos públicos contra a possível remoção. 

Chegada dos caixões: 378 vítimas. Foto: Blog Porta Retrato

Chegada dos caixões: 378 vítimas. Foto: Blog Porta Retrato

O senador Randolfe Rodrigues é o autor da emenda que garante a construção do memorial. Mas, ao ser procurado pelos familiares,  o parlamentar negou que a intenção original tenha sido a transferência das ossadas.   “A nossa concepção do memorial era uma homenagem às vítimas, não tinha nada relacionado ao cemitério, muito menos à remoção dos corpos”, afirmou Rodrigues.

Durante o encontro com senador, os parentes mais uma vez se manifestaram contra uma possível transferência.  “Nós entendemos a sua postura senador e não temos nada contra. Nossa preocupação é assegurar que futuramente não venham a remexer nessa história. É complicado para nós passar por isso”, disse Sandra Rocha, uma das familiares.

Janeiro de 1980: enterro das quase 400 vítimas em 5 valas comuns no cemitério de Santana. Foto: Blog Porta Retrato

Janeiro de 1980: enterro das quase 400 vítimas em 5 valas comuns no cemitério de Santana. 

Sepulturas das vítimas estão abandonadas em Santana. Prefeitura quer mais espaços para sepultamentos

Sepulturas hoje abandonadas em Santana. Prefeitura quer mais espaços para sepultamentos

Apesar de todo debate em torno do assunto, o memorial não deverá ser construído este ano. A Prefeitura de Santana não apresentou projeto ao governo federal, e por isso a emenda já é considerada perdida.

Alerta para a navegação

O Novo Amapá, segundo o inquérito marítimo nº 22.031, do Departamento Regional da Marinha no Pará, tinha 25 metros de comprimento  com suporte para transportar no máximo 400 pessoas e meia tonelada de mercadoria. Mas naquele dia, segundo registros, teria partido do porto com mais de 600 pessoas e quase uma tonelada de carga.

A embarcação partiu de Santana por volta de 14 horas e naufragou por volta de 21 horas após bater em um banco de areia no Rio Cajarí, próximo ao Distrito de Monte Dourado, em Almerim, no Pará, onde seria o destino final.

Mais do que a memória, é preciso debater a segurança da navegação

Mais do que a memória, é preciso debater a segurança da navegação

A ideia do memorial não era apenas preservar da história, mas também alertar para que sejam evitados outros acidentes fluviais. “Nós queremos mais investimentos em segurança para que não ocorram outras tragédias e vidas sejam perdidas”, afirmou o parlamentar.

Desde 2011, no início do seu mandato, o senador tem debatido a segurança nos rios da Amazônia. No fim do ano passado, propôs uma audiência pública sobre o assunto.  Além das articulações, Randolfe e a bancada amapaense no Congresso, também apresentaram emenda ao orçamento da União no valor de R$ 2,5 milhões. O valor da emenda seria destinado para melhorar a estrutura da navegação na Amazônia. Porém, até hoje o valor não foi liberado.

Compartilhamentos