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A passagem rápida da presidente Dilma Rousseff para a inauguração do conjunto habitacional Macapaba, Zona Norte da Capital, gerou uma grande mobilização popular. Mesmo com as grandes filas, o sol escaldante e o enorme aparato de segurança nacional, estudantes e populares organizaram protestos. Houve também aqueles que enfrentaram todo o desconforto para ver de perto a presidente.  

Três barreiras de segurança foram montadas. Todos foram revistados

Três barreiras de segurança foram montadas. Todos foram revistados

Quem estava do lado de fora, enfrentou longas filas e passou por um rigoroso sistema de segurança envolvendo a Polícia Militar, Rodoviária, Federal, Exército, que contaram com apoio de dois helicópteros. Ao todo, 457 homens fizeram a segurança da presidente.

Entidades civis foram até o Macapaba apenas para  vaiar autoridades

Entidades civis foram até o Macapaba apenas para vaiar autoridades

Logo cedo, estudantes que estavam na primeira barreira de segurança organizaram uma tímida manifestação, é não era nada contra a inauguração do conjunto, mas sim, contra as condições que os moradores vão enfrentar. “A população daqui ganha as suas casas, mas quais são as condições? Os ônibus vão continuar passando? Cadê o posto de saúde? A creche? A principal reivindicação é o transporte. Os estudantes do Ifap estão aqui há um ano e sofrem com a demora e o sucateamento dos ônibus. Queremos a certeza que isso tudo vai funcionar”, exigiu a estudante Claudiane Araújo.

A organização criou filas para visitar apartamentos, assinar documentos. Muita gente reclamou do horário do evento

A organização criou filas para visitar apartamentos, assinar documentos. Muita gente reclamou do horário do evento

Na hora do discurso da presidente, a população gritou “Fora Sarney”, “Educação já” e alguns palavrões, que logo foram controlados pela organização do evento. 

Quem estava do lado de fora reclamou das exigências e principalmente do horário da entrega da obra. “O governo não soube organizar. Um horário desse é pra ninguém vir mesmo. Minha bolsa foi revistada três vezes, não precisa tudo isso. Meu filho veio com uma câmera e teve que voltar. Outra coisa interessante é o número de policiais aqui. Cadê esse aparato nas ruas?” observou a professora Josiane Ferreira, que estava na segunda barreira policial.

Marilene Rosa Silva: preparada com água, sombrinha e paciência

Marilene Rosa Silva: preparada com água, sombrinha e paciência

Pessoas que nunca viram um esquema de segurança em torno de um presidente da República estranharam. “Eu moro no Parque dos Buritis, vim apenas prestigiar entrega. Mas a gente não merece tantos maus tratos. Eu vim apenas ver a presidenta, mas tive que aguentar esse sol e esse esquema de segurança que trata todos como bandidos”, reclamou o marceneiro de 40 anos, Antônio Moreira pinto, que já estava passando pela segunda barreira.

Marceneiro Antonio Moreira:  "tratados como bandidos"

Marceneiro Antonio Moreira: “tratados como bandidos”

Os beneficiários que quiseram entrar em seus apartamentos também passaram pela segurança, e longas filas é claro. A autônoma Marilene Rosa Silva foi preparada de casa. Ela levou água, guarda-sol e uma boa paciência. “Sabia que isso ia demorar por isso vim preparada. Depois de ver minha nova casa vou dar uma olhada na presidente, mesmo porque não é todo dia que vemos ela assim, de pertinho”.

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