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Por: Cássia Lima

Amapá: único estado brasileiro banhado pelo Rio Amazonas, cortado pela linha imaginária do Equador, localizado no extremo norte do país com uma população estimada de 750 mil habitantes, possuiu 16 municípios e uma área de 142 mil metros quadrados. Localizado há 1.791 quilômetros de Brasília, hoje comemora a criação do Território Federal. Com uma longa história, o estado começou em 1.758 com a criação da Vila de Macapá, construída de forma estratégica para fins militares. Mas, quais são de fato, os motivos para a criação do território há 71 anos?

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Vamos voltar para o século passado no ano de 1940. No contexto histórico, o mundo vivia em plena Segunda Guerra Mundial e apesar do Brasil não estar explicitamente em guerra, digo, em batalha dentro de seu território, sofria diversas intervenções por fazer parte das potências dos aliados, grupo de países liderado pelos Estados Unidos, Inglaterra e China. O país na época vivia o modelo de Estado Novo de Getúlio Vargas e começou a ser usado pelos americanos como base estratégica naval e terrestre, já que o país havia assinado a Carta do Atlântico (Documento que previa apoio automático com qualquer nação do continente americano que fosse atacada por uma potência extracontinental).

O Amapá que até então pertencia ao estado do Pará foi desmembrado e elevado á categoria de Território Federal visando fatores estratégicos, econômicos, políticos e principalmente militares. “O que a gente percebe é que havia uma estratégia de ocupação do Norte do Brasil. As áreas eram amplas demais para serem administradas por um único chefe de estado. A criação do Território foi uma estratégia de administração, ocupação litorânea e territorial do Amapá visando à lógica da Segunda Guerra”, explicou o professor de história, José Farias.

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Devido a esses fatores que em 13 de setembro de 1943 foi criado pelo presidente Getúlio Vargas por meio do Decreto-lei n° 5.812 o Território Federal do Amapá. O território possuía três municípios: Macapá, Mazagão e Amapá, este último foi decretado capital. Três meses depois da criação, no dia 17 de novembro de 1943, Janary Gentil Nunes é nomeado governador do território. Mas, ao chegar em terras amapaenses em 1944, o governador intitula o município de Macapá como capital do território. “O município de Amapá nunca chegou a comportar na prática a capital. Janary instalou a sede de governo no prédio onde hoje funciona o Museu Joaquim Caetano da Silva, alias essa é a terceira obra mais antiga do Amapá”, contou o professor.

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A construção inaugurada em 15 de novembro de 1895 servia antes de sede da intendência municipal de Macapá. De acordo com historiadores amapaenses, dentro do prédio foram tomadas grandes decisões, como por exemplo, a criação de municípios, construção de escolas, divisão da arrecadação pública e resolução de outros problemas, inclusive a instalação da Base Aérea no município do Amapá em 1945. O lugar localizado a 15 quilômetros da cidade de Amapá abrigou um aeroporto na cidade para abastecer aviões norte-americanos que iriam combater as tropas do eixo, na Segunda Guerra Mundial.

Com a instituição do Território Federal do Amapá foram criadas diretrizes políticas e administrativas, infra-estruturas e incentivos para o desenvolvimento de atividades econômicas, principalmente voltadas ao setor do extrativismo mineral. Com a descoberta de ricas jazidas de manganês na Serra do Navio, em 1945 a instalação da Icomi no território revolucionou da economia local.

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Passados 71 anos da criação do Território Federal do Amapá pode-se destacar um cenário completamente diferente daquele período. Hoje vivemos em um estado que não possui 30% das construções da década de 1940. O que nos resta de antigo são: O prédio do antigo Fórum de Macapá, hoje OAB-Amapá; Residência do governador; Colégio Amapaense; Igreja São José (matriz antiga), Fortaleza de São José; Residência da Mãe Luzia; Estádio Glicério de Souza Marques; Mercado Central; a Sede do Correios; Cine João XXIII; Cine Macapá; Escola Antônio Cordeiro Pontes e Escola Barão do Rio Branco. Outro prédio antigo, porém demolido recentemente, era a Igreja Assembleia de Deus, na Tiradentes.

O que sobrou da antiga arquitetura do Território Federal está sendo derrubado e no lugar surgem os grandes prédios, lojas, hotéis, e outros imóveis fundamentais para o desenvolvimento do estado, mas uma grande perda para a história. O que nos resta é olhar e cultivar o passado com reverência para que as futuras gerações também tenham acesso a essa história.

 

Fotos: http://porta-retrato-ap.blogspot.com.br/

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