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No dia 23 de outubro de 2013 a imprensa local e nacional noticiavam um dos maiores incêndios ocorridos no estado do Amapá. O fogo, que surgiu em uma brincadeira com um cigarro, destruiu aproximadamente 335 residências do Bairro Perpétuo Socorro, em Macapá. Cerca de 1.500 pessoas que ficaram sem ter onde morar. Um ano depois, boa parte das famílias ainda não possuem um novo lar.

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Trabalho (Semast) 334 famílias que provaram morar na área incendiada foram enquadradas nos programas sociais do município. Como se não bastasse o trabalho para ajudar quem perdeu tudo, a Semast teve que investigar quase 200 pessoas que tentavam ser beneficiadas afirmando serem vítimas também, quando na verdade nem sequer moravam no bairro.

Até hoje a área atingida pelo fogo continua sem nenhum projeto

Até hoje a área atingida pelo fogo continua sem nenhum projeto

“Três dias após o incêndio tínhamos cerca de 550 famílias cadastradas. Tudo porque pessoas inescrupulosas tentaram se aproveitar do momento para receberem os benefícios governamentais, mesmo não tendo a casa atingida pelo incêndio. Tivemos que apelar para a Polícia Civil para acharmos os farsantes”, relembrou a diretora de Assistência e Trabalho da Semast, Selma Rocha.

Selma Rocha, da Semast

Selma Rocha, da Semast

Após as investigações se chegou às 334 famílias cadastradas. Desse total, 100 receberam casas no conjunto Mestre Oscar Santos e outras 200 foram beneficiadas com apartamentos no Macapaba. Hoje, segundo a Semast, 34 famílias ainda moram em casas alugadas pagas pelo município ou pelo estado. Porém, algumas famílias afirmam que não receberam nenhum benefício, mesmo tendo perdido tudo no sinistro.

Uma das famílias que ainda cobra assistência do poder público mora em uma casa de dois cômodos em uma passarela improvisada ao lado da feira da Avenida Ana Nery, que fica perto da área que pegou fogo. Maria de Jesus Monteiro cuida de sua tia, dona Antonia de Sena, de 93 anos. “Hoje moro aqui com meus dois filhos, uma nora, e minha tia que está bem velhinha. Desde aquele dia que tivemos que tirar nossas coisas às pressas não consigo dormir direito, pois ainda não tenho um lugar para morar e cuidar da minha tia. Hoje temos uma cama, um fogão e uma televisão pequena porque uma amiga que mora na Guiana Francesa ajudou”, contou Maria de Jesus.

Detalhes do incêndio que deixou 1500 pessoas desabrigadas em 2013

Detalhes do incêndio que deixou 1500 pessoas desabrigadas em 2013

De acordo com Maria de Jesus, nem o aluguel social, nem  geladeira e fogão prometidos chegaram para elas. Hoje a única esperança é conseguir ser beneficiada com o programa Minha Casa Minha Vida. “As pessoas não sabem o que é perder tudo e não ter quem olhe por nós. Perdi tudo e hoje as forças que tenho é para dar suporte aos filhos e minha tia”, acrescentou.

A Semast informou que Maria de Jesus será contemplada com um apartamento no conjunto Habitacional São José, no Buritizal, que fica pronto em dezembro. “As famílias que ainda estão sem casa serão alocadas no conjunto São José. Serão os primeiros a receberem apartamentos. Assim poderemos concluir o atendimento de todos que foram atingidos pelo incêndio”, disse Selma Rocha, da Semart. Ela acrescentou que o prazo final para a mudança é fevereiro de 2015.

Cleoson Martins terá apartamento no Macapaba

Cleoson Martins terá apartamento no Macapaba

Mas entre as famílias que ainda moram nos boxes da feira da Ana Nery, existem aquelas que recentemente conseguiram um apartamento no Cidade Macapaba. É o caso do autônomo Cleoson Martins, que mora na parte superior de um dos blocos da feira ao lado de mais três famílias. “No início começamos a receber o aluguel social, mas a renda da família estava baixa. Então resolvemos pegar dois boxes desses para morar. Assim, economizamos o dinheiro do aluguel, que é de R$ 350,00, para colocar comida dentro de casa. É que, além de dois filhos pequenos e minha esposa, minha filha mais velha estava com um filho pequeno. Mas graças a Deus no dia 7 de outubro fui sorteado com um aparamento no Macapaba. Agora tenho até o dia 7 de novembro para me mudar”, contou com um sorriso no rosto o autônomo.

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