Compartilhamentos

Nos dias 09 e 30 de setembro, o jornal “O Tablóide”, acompanhado de outros meios de comunicação, divulgou pesquisas sobre as intenções de votos para o Senado no Amapá. A pesquisa, uma das três encomendadas, mostram sistemáticos aumentos de percentuais para o candidato ao Senado Gilvam Borges (PMDB). Os resultados conflitam em muito com dados de pesquisas que outros partidos utilizam para nortear suas campanhas. Só essas situações já lançam suspeita sobre a pesquisa, mas há também o fato de a pessoa responsável pelo “estudo” ser uma funcionária da Funasa (comandada pelo PMDB) investigada por improbidade administrativa.

Ana Catarina Xavier Lemos era nomeada em 2009 na Fundação Nacional de Saúde , órgão historicamente dominado pelo PMDB e a família Borges. É a mesma Funasa que já teve funcionários e até uma ex-prefeita presos na Operação Citrus, da Polícia Federal.

Sistema do TRE mostra quem contratou e quem realizou a pesquisa: ciclo fechado

Sistema do TRE mostra quem contratou e quem realizou a pesquisa: ciclo fechado

Segundo o processo 004.676/2010-6, do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Catarina, que é formada em estatística, foi chamada para esclarecimentos por contas de possíveis irregularidades em um convênio celebrado entre a Funasa e a empresa “sem fins lucrativo” IBRASC. O contrato era de prestação de serviços de saúde nas comunidades indígenas. O processo está entre os restritos do TCU, mas que pode ser consultado na URL:

https://contas.tcu.gov.br/etcu/AcompanharProcesso?p1=4676&p2=2010&p3=6

A notificação foi feita em 2011, quando a Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Fundação Nacional do Índio (Funai) investigavam indícios de desvios de verbas na Funasa/AP para comitês eleitorais do PMDB. O escândalo (na época faltaram medicamentos e até bebês morreram nas aldeias) culminou com a fundação sendo retirada da gerência sobre o atendimento nas aldeias indígenas.

No último fim de semana, outra pesquisa com resultados extraordinários dão franca vantagem para Gilvam na disputa com Davi. A distância entre eles é abissal, pelo menos na visão do instituto RGC Borges, que pertence à família Borges assim como o jornal O Tablóide, além das rádios que reverberam a pesquisa e tudo que interessa ao grupo nos 16 municípios do Estado.  Resta saber agora é até onde vai a cara de pau.

Compartilhamentos