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A Polícia Civil divulgou nesta sexta-feira, 17, o resultado da Operação “Serpens” que investigou seis pessoas, entre elas um menor de idade, que teriam causado um prejuízo de mais de R$ 3,8 milhões a empresa SulAmérica Seguros. Segundo a polícia, a quadrilha falsificava assinaturas e carimbos de médicos e fez cerca de 20 mil vítimas em todo o estado do Amapá.

As investigações iniciaram em fevereiro do ano passado depois de denúncias de clientes da SulAmérica que se sentiram lesados ao terem que pagar por serviços que não usaram, principalmente de fisioterapia na Clínica Aquafísio. Segundo a Polícia Civil, a quadrilha era liderada por Nádia Liberato Sales Ferreira, dona da Aquafísio. As investigações apontam que Josimar Fonseca da Silva foi contratado por Nádia para falsificar os documentos aumentando os valores dos serviços prestados aos clientes da SulAmérica.

De acordo com o delegado do Departamento de Polícia da Capital, Júlio César Firmino, o crime ocorria desde 2009, mas teve uma demanda maior em 2013. “A quadrilha começou fazendo falsificações de recibos e carimbos médicos em pequena escala. Mas viu que podia ganhar mais. Eles cobravam por serviços que nunca foram realizados e incluíam esses serviços nas planilhas da SulAmérica, lesando clientes e a empresa”, explicou.

Segundo o delegado Julio César, o esquema funcionava da seguinte forma: Felipe Sales Nonato, filho de Nádia, fazia as pesquisas em nome de segurados junto a SulAmérica, ou seja, uma espécie de investigação da vida de suas vítimas, para então promover as falsificações usando o nome delas. Um menor de 17 anos filtrava os cadastros dos clientes ativos e passava a informação para Maiara Fernandes Caldas, que confeccionava os relatórios falsificados e adulterava carimbos médicos junto com Bruno Trindade. Nádia e Josimar assinavam e asseguravam o esquema.

A SulAmérica Seguros, a princípio, não desconfiou porque as falsificações serem perfeitas e depositava na conta corrente da Aquafísio os valores cobrados nas faturas todos os meses. Mais tarde, quando a direção da empresa notou que a Aquafísio aumentou sua carteira de clientes de 40 segurados para 10 mil em um ano, houve a desconfiança. A SulAmérica passou a perguntar a seus clientes se tinham sido atendidos em até trinta sessões de fisioterapia por mês. Foi aí que crime começou ser descoberto.

Para o delegado da 2º DP, Leonardo Brito, que investigou o caso, mais de 15 médicos tiveram suas assinaturas falsificadas. “Os médicos não tinham envolvimento nenhum, ao contrário, eram vítimas. O sexteto aparentemente fazia trabalhos legais, mas falsificavam assinaturas, carimbos, receituários e ganhavam cobrando em cima de serviços que nunca prestaram”, explicou. A polícia estima que o valor de desvio de dinheiro pode ser bem maior que os R$ 3,8 milhões e mais vítimas ainda podem aparecer. A quadrilha está sendo indiciada por estelionato, falsidade ideológica, associação criminosa e desvio e lavagem de dinheiro.

 

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