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Uma carta supostamente preparada por militares que participam do curso de formação de cabos do Corpo de Bombeiros do Amapá, revela a prática de abusos e maus tratos durante aulas e testes físicos. O comando da corporação disse que vai investigar o caso.

Os abusos estariam ocorrendo na Academia Integrada de Formação e Aperfeiçoamento (AIFA), localizada no Marabaixo II. As atividades começaram no último dia 13. Os oficiais estariam praticando assédio moral, lesão corporal e colocando em risco a vida dos alunos. Na última terça-feira, 18, durante instrução de salvamento aquático, instrutores aplicaram o chamado “caldo” (afogamento doloso, em que os instrutores puxam o aluno ao fundo da piscina ou rio até o mesmo perder a consciência). “Alguns alunos por pouco não tiveram um afogamento completo”, diz a carta.

No mesmo dia, alguns militares teriam se ferido ao realizar flexões de braço em um local com pedras pontiagudas e quentes por causa do sol de meio-dia. De acordo com a denúncia, alguns alunos tiveram queimadura de primeiro grau.

No dia seguinte, 19, os alunos teriam doado sangue e mesmo assim foram obrigados a voltar para os treinamentos, quando o certo é um repouso mínimo de 12 horas após a doação. Pelo menos 15 alunos teriam passado mal com vertigens e desmaios.

Carta lembra a tragédia ocorrida com  Edson Brito durante o curso de formação de 2009

Carta lembra a tragédia ocorrida com Edson Brito durante o curso de formação de 2009

À noite, durante mais um exercício, um aluno teve o ombro deslocado durante uma atividade não prevista na grade curricular do curso. A carta afirma que não havia ambulância no local. “Uma das finalidades do Corpo de Bombeiros é a prevenção, no entanto, em nenhuma das atividades havia ambulância para prestar o devido socorro em caso de acidente. …É notória a total despreocupação com a integridade física dos seus próprios militares. Estas atitudes irresponsáveis ….nos remetem às lembranças do CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS de 2009,quando em uma atividade na qual foram constatadas diversas falhas técnicas por parte da coordenação do curso, o aluno CFS F. BRITO perdeu sua vida, deixando esposa e três filhos inconsoláveis”. termina a carta.

Investigação

O comando do CBM soltou nota afirmando que a denúncia é uma surpresa. Mas se forem comprovadas haverá punição dos responsáveis. Segundo a Diretoria de Ensino e Instrução “todos os alunos que doaram sangue retornaram para Academia Integrada de Instrução e Aperfeiçoamento (AIFA), onde acontece o curso, para não haver perda de conteúdo, e por esse motivo os alunos participaram das aulas apenas como ouvintes”.

A diretoria confirmou que um aluno deslocou o ombro e que uma ambulância foi chamada para prestar socorro. “Foi chamada a ambulância e eu acompanhei o militar no HE até a sua liberação”, informou o coordenador do CFC, capitão Garcia, que inclusive é denunciado na carta. De acordo com ele, a atividade era de baixo risco, por isso uma ambulância não seria necessária.

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