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Chega ao Amapá nesta quarta-feira, 12, um navio vindo da cidade Buchanan, na Libéria, país do continente africano, que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) está entre os países mais atingidos pelo vírus Ebola. A notícia deixou o serviço de praticagem na região em alerta. É que os práticos, profissionais que trabalham como guias dos navios estrangeiros nos rios da Amazônia, estão com medo de uma possível contaminação pelo vírus.

A última comunicação feita com o cargueiro Clipper Alba confirmou que a chegada à costa amapaense acontece mesmo nesta quarta-feira. Do navio veio o pedido para que seja disponibilizado o serviço de praticagem. O objetivo do comando da embarcação é finalizar a viagem em dez dias para poder entregar a carga dentro do prazo. “Porém esse é um pedido que não permite que os tripulantes tenham passado pela quarentena necessária que é de 21 dias, para se saber se algum tripulante contraiu o vírus ebola. O medo não é só dos práticos, mas também das cidades que vão receber o navio, como Macapá e Manaus”, afirmou Fernando Camara, de uma empresa privada de praticagem.

Segundo o itinerário repassado às empresas de praticagem, o navio ficou quatro dias no país africano, saindo de lá no dia 4 de novembro. Como o período de quarentena é de 21 dias, seria necessário que o navio ficasse isolado por mais dez dias. Só então ele estaria livre para navegar e receber os práticos a bordo. “O problema é que a empresa que transporta a carga e a que receberá em Manaus, não querem que esse período seja respeitado, já que o atraso significa perda de dinheiro. Ou seja, estão pressionando a alfândega brasileira para liberar a entrada antes do fim do período de quarentena”, explicou Fernando Camara.

Até o Responsável Único do Serviço de Praticagem do Amapá, através do Sindicato dos Práticos, se manifestou em nota sobre o assunto temendo que a entrada no navio em águas brasileiras, sem a quarentena, possa trazer a doença ao solo brasileiro. Segundo a nota, “para o Sindicato dos Práticos deveria ser cumprido o período de 21 dias da quarentena, que é quando o vírus do Ebola pode se manifestar. Somente a partir daí é que os profissionais que vão conviver mais de 48 horas com a tripulação poderiam ter mais segurança em relação a doença que já matou milhares de pessoas na África.”

OUTRO CASO

Outro caso de navio vindo de um país africano ocorreu no mês passado. O cargueiro ancorou em Macapá, mas o destino era o município de Santarém, no Pará. O navio chegou a ser liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas autoridade município paraense conseguiram fazer com que o proprietário da carga desistisse da entrega.

“A Anvisa está tratando a costa marítima do Norte do Brasil como tratam a costa do Porto de Santos, em São Paulo, fazendo uma averiguação falha. Apenas preenchem um questionário com informações dos tripulantes e deixam o navio entrar. Porém, o Norte não tem tantos recursos de saúde como São Paulo, que tem formas de conter uma epidemia. Nosso sistema de saúde aqui na região é muito deficiente, o que pode determinar facilmente uma epidemia”, concluiu amedrontado Fernando Camara.

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