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O navio de bandeira holandesa Clipper Alba, que estava aguardando a inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que os práticos pudessem guiá-lo, até o porto de Itacoatiara, no Amazonas, desistiu de seguir viagem pelo Amapá e partiu em direção ao porto de localizado no Estado do Maranhão. Os práticos não queriam embarcar antes que o navio passasse pela quarentena de 21 dias, já que ele veio de uma região da África que vive uma epidemia de Ebola.

Os práticos estavam com receio de entrar no navio e fazer a manobra de quatro dias ao lado dos tripulantes que passaram quatro dias na cidade de Buchanan, na Libéria, onde o número de casos de Ebola é muito grande. Eles queriam o cumprimento da quarentena necessária para saber se algum tripulantes estava com o virus.

“Houve um atraso na inspeção por conta de uma pane no navio, que não conseguiu chegar ao porto da praticagem em Fazendinha. Além disso, houve muita pressão para que eles cumprissem a quarentena. Com tudo isso os donos da mercadoria desistiu da viagem pelo Amapá e resolveram fazer o desembarque em São Luiz” contou o prático de uma das empresas que atende o Amapá, Fernando Camara.

Essa foi a segunda vez que um navio vindo de uma área epidêmica da África desistiu de fazer a manobra na costa marítima do norte do Brasil, por conta da pressão popular e dos práticos, que exigem que a quarentena seja cumprida. “Não estamos dizendo que não faremos a manobra, mas pedimos a quarentena para livrar o Norte do Brasil da entrada da doença. Porém, os donos da mercadoria não querem aguardar esse período, afirmando que esperar a quarentena é uma perda de recursos financeiros. Só para comparação, o Canadá, a Espanha e algumas cidades dos Estados Unidos, não aceitam navios vindos das áreas epidêmicas, sem que a quarentena seja respeitada, mesmo com todos os seus recursos de saúde avançados”, concluiu Camara.

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