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Sessenta e Seis. Esse é o número de estudantes que hoje recebem auxílio do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) da Universidade Federal do Amapá (Unifap). O núcleo atende acadêmicos com algum tipo de necessidade específica, como deficiência visual, auditiva, física e intelectual. Um número ainda baixo se comparado aos 700 surdos cadastrados no Centro de Acolhimento ao Surdo (CAS), por exemplo. Essa discrepância fortalece o debate sobre o acesso ao ensino superior para pessoas com deficiência, assunto discutido num evento que começou nesta sexta-feira, 21.

Seminário (2)

O evento é o 2º Seminário Interinstitucional sobre Educação Inclusiva no Ensino Superior, que reúne a sociedade acadêmica e civil num debate sobre os meios de igualar o direito ao ensino, seja o fundamental, médio ou superior a qualquer cidadão. “Hoje percebemos muito as dificuldades dos alunos com alguma necessidade especial dentro da Unifap, e tentamos facilitar ao máximo a acessibilidade junto ao NAI, porém fora da Instituição sabemos que ainda há abismos que devem ser quebrados para o incentivo à educação inclusiva, e esse é o caminho almejado com o seminário, a divulgação da necessidade de melhores condições de ensino e formas de atuações sociais”, explicou a coordenadora do NAI, Leila Feio.

Uma dificuldade que foi sentida de perto pelo acadêmico do 4º semestre do curso de Artes Visuais, Amadeu Peregrim (vídeo a cima). “Falar que foi fácil chegar ao ensino superior seria uma forma de negar todo o meu esforço no ensino fundamental e médio, em que me deparei com a falta de preparo dos professores para lidar com minha necessidade. Tive que ralar muito para ingressar no ensino superior, e agora tenho que me esforçar ainda mais para me formar e ser mais um disseminador da importância da inclusão educacional”, comentou.

Outra pessoa que também sentiu na pele os problemas com as precariedades da falta de inclusão educacional foi a deficiente visual Kérsia Celimara (Foto Capa), que recentemente conseguiu ingressar no funcionalismo público após lutar pelos seus direitos ao tratamento igualitário, previsto na Constituição. “Hoje observamos que já há muitos alunos com deficiência dentro da Unifap, mas na época que entrei na Instituição (2007) éramos menos de 10 alunos, que tiveram muitas dificuldades, por exemplo, com a literatura especifica adaptada que não existia”, lembrou.

Ela contou que os professores, na época, não tinham preparo para lidar com a educação inclusiva, o que fazia com que dependesse da solidariedade de outros alunos que narravam o que os professores estavam apresentando em slides ou ditavam o que estava sendo escrito no quadro. “Nas provas era mais difícil, pois tinha que pedir para alguém ler as questões, eu digitava no meu computador, que tem um programa especial de leitura para poder responder às questões e enviar por e-mail para os professores poderem corrigir. Todas às vezes eu era a última a terminar as provas”, lembrou Kérsia, que superando vários tabus, conseguiu se formar em Ciências Sociais no ano passado e hoje é funcionária pública do Estado.

Esses são alguns problemas que serão debatidos e analisados no seminário, que continua neste sábado, 22, a partir das 8 horas, no anfiteatro da Unifap.

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