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Cerca de 100 pacientes do Amapá que fazem tratamento contra o câncer no Estado do Pará podem ser despejados do hotel que funciona como casa de apoio em Belém. A direção da casa diz que o governo do Amapá não faz repasses há mais 7 meses.

Os pacientes estão inscritos no programa de Tratamento Fora de Domicilio (TFD). Nos últimos meses, a Secretaria de Saúde do Estado deixou de repassar cerca de R$ 684 mil. O dinheiro cobre os custos dos pacientes e acompanhantes com o aluguel (hospedagem), transporte, alimentação e outras despesas, e é administrado pela coordenação da casa de apoio “Sam Remo”, localizada no Bairro de Fátima, Zona Norte de Belém (PA). O lugar era um hotel.

Pacientes e o proprietário da casa de apoio vieram ao Ijoma pedir ajuda

Pacientes e o proprietário da casa de apoio vieram ao Ijoma pedir ajuda

Atualmente, a casa de apoio hospeda atualmente 100 pessoas, 12 crianças em tratamento, além de pacientes com câncer de útero, próstata e estado terminal. De acordo com o proprietário da casa, Ailton Pereira da Silva, há quatro meses um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi assinado pelo Governo do Estado e por ele, mas o TAC não foi cumprido. “O contrato firmado garantia o pagamento e reconhecimento de dívida atrasada, mas nada foi cumprido. Eu não quero despejá-los, mas não posso mais tirar do meu próprio bolso para tratar desses pacientes”, contou o dono da casa de apoio, que nos últimos meses diz ter comprado remédios, alimentos e produtos de limpeza para os pacientes com recursos próprios. A qualquer momento o hotel pode ter a água e luz cortados.

Proprietário da casa, Ailton Silva: "não quero despejá-los, mas não posso continuar gastando do meu bolso"

Proprietário da casa, Ailton Silva: “não quero despejá-los, mas não posso continuar gastando do meu bolso”

Os pacientes e o proprietário vieram a Macapá reivindicar uma solução. Com infecção num osso da face que o deixou cego do lado esquerdo, Jairo Alencar, de 54 anos conta que os pacientes já passam fome na casa de apoio. “Já passamos fome e comemos só um pouco porque não tinha dinheiro. Semana passada quando ele (o proprietário) nos disse que poderíamos ser despejados todo mundo chorou porque vamos virar mendigos. Ninguém sabe nossa dor. O pior é ver o sofrimento daquelas crianças”, desabafou.

Segundo os pacientes, o atraso no pagamento sempre ocorreu, mas o temor deles é alguém morrer devido à falta de assistência do governo. “A gente não tem medo de ser despejado. O seu Ailton já nos ajudou muito. Temos medo de sair de casa e voltar morto. Já não basta tudo que passamos enfrentando a doença”, indagou a paciente Rúbia dos Santos, de 34 anos, que faz tratamento na casa há 4 anos.

Pacientes debatem situação na casa de apoio: água e luz podem ser cortados a qualquer momento

Pacientes debatem situação na casa de apoio: água e luz podem ser cortados a qualquer momento

Cansado de pedir ajuda e não ser ouvido, o proprietário da casa San Remo pediu ajuda ao Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma), mas o instituto também não possui recursos financeiros. “É desumano o que está acontecendo com essas pessoas. É uma falta de respeito com a vida, com a cidadania amapaense. O que está acontecendo em Belém é só a ponta do iceberg. Quem for na Unacom em Macapá verá o descaso do poder público”, denunciou o presidente do Ijoma,  padre Paulo Roberto.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) comunicou que deve se posicionar sobre o assunto por meio de uma nota.

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