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O ano de 2014, como todo ano de eleições gerais, foi agitado e com muitos personagens. Sumido no primeiro turno, mas um importante coadjuvante no segundo, o senador Randolfe Rodrigues, do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), roubou a cena duas vezes. Primeiro ao ser indicado pré-candidato à Presidência da República, e depois ao abrir mão da indicação. A atitude, uma tentativa de se dedicar mais à política local, acabou gerando uma crise interna com seu partido. Antes disso tudo acontecer, Randolfe ainda teve a chance de ser candidato ao governo do Amapá, mas desistiu para viabilizar a aliança entre o prefeito Clécio Luis (Psol) e o governo do PSB.

SelesNafes.Com conversou com o senador Randolfe Rodrigues sobre os melhores e piores momentos do ano. Além dos desentendimentos com o Psol, falou dos rumos que deve tomar em 2015. Há muita especulação sobre uma volta ao Partido dos Trabalhadores (PT), mas por enquanto ele diz que vai continuar no Psol.

SelesNafes.Com: 2014 foi um ano conturbado? Como o senhor o avalia?

Randolfe Rodrigues: As movimentações do ano foram intensas tanto nos caminhos traçados como senador, quanto nas movimentações políticas que levaram a uma quase candidatura a Presidência e também ao governo do Amapá. Eu brinco que 2014 foi um ano que não acabou, pois foi um período curto para tantas movimentações em prol do Amapá.

Randolfe comandou muitas ações da bancada federal

Randolfe com parte da bancada federal: articulação em BSB

SN: O que deu certo em 2014?

RR: Acho que podemos destacar a prorrogação por mais 50 anos da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS). Foi uma ação junto com a bancada federal, que garante o crescimento do comércio local. A ALCMS é um mecanismo que ajudou a incrementar o nosso comércio, quando o comércio nacional teve uma retração. Enquanto os grandes centros estão traçando metas para melhorar o comércio no país, nós tivemos a abertura de dois shoppings no intervalo de um ano, um hipermercado foi aberto e um atacadão acabou de inaugurar. Isso tudo mostra que a ALCMS é o caminho certo.

SN: Também houve a busca por respostas em relação à BR-156. De que forma a bancada federal vem atuando para garantir a conclusão da obra?

RR: Esse também foi um assunto muito debatido pelos senadores em Brasília. Estamos chegando a mais um período de chuvas e a população de Oiapoque continua a mercê dos problemas estruturais em relação à conclusão da BR-156. Nos reunimos com o Ministério dos Transportes para garantir a conclusão da estrada, que já ganhou o título de obra mais antiga em andamento no país. Isso é o retrato de uma série de desvios de verbas patrocinados por todos que já passaram pelo executivo estadual, com exceção do primeiro governador, Janary Gentil Nunes. Depois de algumas reuniões decidimos que vamos tentar repassar a obra para o Exército Brasileiro. Mas ainda temos que concluir uma série de encontros com o Comandante Geral.

SN: O seu nome foi lançado como pré-candidato à Presidência da República. Por que esse projeto não se concretizou?

RR: Acho que não era o momento. Na verdade acredito que foi um erro. Eu tenho que ter a humildade de reconhecer os meus erros. Hoje, analisando melhor essa ideia, concluo que não foi uma decisão acertada e posso dizer que errei. O Psol queria me lançar candidato à Presidência ou ao governo do Amapá. Mas como eu havia assumido um compromisso com dois candidatos (Lucas Barreto e Camilo Capiberibe) de não sair ao governo em troca de apoio a eleição do Clécio para a Prefeitura de Macapá, restou a pré-candidatura à Presidência, mais isso acabou levando a certos desentendimentos com o Psol.

SN: Esses desentendimentos dentro do Psol minaram sua posição no partido. Como está essa relação hoje?

RR: Realmente ainda estamos enfrentando um entrave. Fui enviado para um exílio na “Sibéria”. Não sei qual crime cometi, mas fui condenado à Sibéria. O Psol nacional me virou as costas sem me dar nenhuma oportunidade de diálogo para rever os meus posicionamentos e de outros representantes do partido. Se cometi algum erro foi o de falar a verdade. Mas isso dentro do meu direito democrático de me manifestar quando algo está errado. Por isso fui jogado para escanteio. Ainda tento abrir diálogo com os representantes nacionais, mas por enquanto esse caminho tem sido um monólogo.

Randolfe e Luciana Genro: crise dentro do Psol

Randolfe e Luciana Genro: crise dentro do Psol

SN: Por conta desses desentendimentos surgiram comentários de que o senhor estaria em processo de mudança para o Partido dos Trabalhadores (PT). Existe essa possibilidade?

RR: Até o momento não vislumbro a possibilidade de sair do Psol. Acredito que o partido está passando por algumas mudanças necessárias, essenciais para o seu crescimento. Mas isso tem que partir de uma reflexão de ambos. Assim como refleti sobre meus erros, o partido deve analisar os seus preceitos para que todos cresçam juntos. Enquanto isso, aguardo a abertura de um diálogo com a executiva nacional do partido.

SN: E com o PSB? Como está a relação?

RR: Muito se divulgou sobre a possibilidade de eu lançar minha candidatura ao governo do Estado, mas isso não poderia acontecer, já que para eleger o Clécio fechei acordos de parcerias com o Camilo Capiberibe (PSB) e com o Lucas Barreto (PSD), e isso impedia o lançamento da minha candidatura. Mas as alianças demoraram a perceber isso, e o resultado foi a derrota das forças progressistas. Na verdade o processo foi seguido por vários erros. O Camilo, por exemplo, deveria ter feito uma autocrítica e percebido que não tinha condições de concorrer ao Setentrião.

Randolfe apoia Camilo ao governo do Amapá

Randolfe apoia Camilo ao governo do Amapá

SN: Depois desses cenários quais os planos políticos para 2015 e 2018?

RR: Acho que com a derrota, as forças progressistas devem se unir ainda mais para conseguir a reeleição de Clécio, e montar forças para conseguir o executivo municipal de Santana. Assim, vamos construir juntos um caminho positivo para 2018 e levar as forças progressistas a um patamar mais elevado dentro do atual cenário político.

SN: E como senador quais os planos futuros?

RR: Meu grande anseio é conseguir erradicar o analfabetismo no Amapá. Um passo que foi dado no segundo semestre de 2014 com o Programa “Sim, Eu Posso”, que atende muitas pessoas pelo Brasil e tem como objetivo a erradicação do analfabetismo. Esse é o meu plano para Macapá garantir a alfabetização de quase 17 mil pessoas, que não sabem ler e escrever. Depois queremos expandir o projeto para todo o estado e atender as quase 32 mil pessoas analfabetas do Amapá. Mas esse processo deve se estender até 2016.

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