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Começaram hoje as matrículas na rede estadual de ensino. Algumas escolas amanheceram com filas. Muita gente não só enfrentou filas como passou noites ao relento para conseguir uma vaga. Em uma escola no Bairro do Beirol, teve até lista feita pelos próprios pais.

Maria do Socorro responde a "chamada" duas vezes por dia

Maria do Socorro responde a “chamada” duas vezes por dia

“Eu não tenho opção. Minha filha precisa estudar”, desabafa a dona de casa Maria do Socorro Lima, de 31 anos, que passava mais de 15 horas por dia sentada aguardando por uma oportunidade de vaga. Ela é umas das dezenas de mães que ficaram acampadas por uma uma semana para conseguir matricular seus filhos na escola estadual Roberto José Moraes de Castro, localizada no Bairro do Trem.

Na escola Roberto de Castro, 44 vagas estavam sendo ofertadas. As famílias que moram nas proximidades da escola revezavam-se na fila para garantir matrícula. “Eu moro no bairro e tive medo de não conseguir vaga para meu filho. Para conseguir a vaga ficava aqui à noite e pela manhã. Minha mulher fica pela tarde”, contou o sapateiro Carlos Eduardo Silvestre.

Telma de Oliveira, diretora da escola: fila desnecessária

Telma de Oliveira, diretora da escola: fila desnecessária

Quem ficou na fila teve o nome na lista. Se a pessoa saiu foi para o fim da lista que já ultrapassava 44 nomes, e mais de 20 na lista de espera. A direção da escola tentou explicar para os pais que a fila era desnecessária. “Não podemos dar nenhum apoio. Já conversamos com os pais e orientamos que voltassem apenas no dia da matricula. Que viessem cedo, mas que não ficassem se expondo a riscos. Mas eles optaram em ficar”, ressaltou a diretora da escola, Telma Silva de Oliveira.

Os pais criaram as “regras da fila”. O caderno tinha duas chamadas. Uma às 6 horas e outra às 18 horas. “A gente vinha cedo para aguardar a chamada e não perder a vaga”, frisou Maria do Socorro Lima.

 

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