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Apenas três dos nove servidores do Distrito Sanitário Indígena do Amapá (Dsei) isolados há 27 dias na missão Tiriós, no Parque do Tumucumaque, conseguiram voltar para casar. Uma das técnicas, Merabe Mendonça, contou que além dela e da filha de um ano e meio, outra técnica e um motorista chegaram a Macapá na terça-feira, 09, em um avião monomotor que tem capacidade para três passageiros. “Minhas colegas ficaram chorando porque não sabem quando vão sair de lá”, disse Merabe.

Já a diretora do Dsei, Nilma Pureza, afirma que está faltando retirar apenas uma técnica que está na aldeia Cuxaré. Segundo ela, isso deve acontecer nesta quinta-feira, 12, dependendo do tempo, já que a pequena aeronave precisa de boas condições climáticas para voar na região do Tumucumaque. “Para se ter uma ideia, hoje a aeronave teve que voltar por causa do mau tempo. Vamos conseguir resolver essa situação o mais breve possível”, garantiu a diretora.

Os técnicos trabalham em escala de 15 dias na aldeia e 15 dias em Macapá, sendo dois dias para deslocamento. A alimentação também é para 15 dias. Se o servidor passar duas semanas na aldeia fica sem comida. Neste caso, os servidores já estão há 10 dias além do previsto. “Os colegas não têm nada para comer. Uma das técnicas chegou a desmaiar de fome”, afirmou Merabe, ressaltando que a situação é ainda pior para os servidores que estão em aldeias fora da missão Tiriós. “A nossa colega que está na aldeia Cuxaré está há quatro dias sem nada para comer”. O médico cubano, Luiz Dourado, que está na aldeia Matauaré, enfrenta a mesma situação, segundo Merabe.

Nilma Pureza rebate a informação, assegurando que o médico cubano já está em Macapá, e teria vindo no mesmo voo que Merabe. Segundo ela, alguns técnicos estão insatisfeitos com as mudanças que estão sendo implementadas nas escalas no sentido de dinamizar o trabalho, e fazem denúncias infundadas.

Merabe Mendonça contou ainda que é casada com um índio e tem uma filha desse casamento. A criança acompanha a mãe na missão. “Eu estava muito preocupada com a minha filha, que ainda é muito pequena e precisa se alimentar. Eu preciso me alimentar também porque ainda amamento ela”, enfatizou.

Os servidores pretendem denunciar o fato ao Ministério Público porque temem sofrer represálias. Eles também querem ter a garantia de que quando forem para a missão Tiriós tenham condições de voltar para Macapá. “Não é possível ficarmos mais tempo do que o previsto”, concluiu Merabe.

Foto: historiasdeoiapoquedarosemary.blogspot.com

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