Compartilhamentos

Daqui a dois anos cerca de 150 mil veículos devem trafegar pelas ruas de Macapá. A estimativa é do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). De acordo com dados do órgão, entre os anos de 2010 e 2015 a frota do município aumentou em 49 mil veículos chegando a 133 mil. Com tantos carros, motos e outros tipos veículos, Macapá já enfrenta sérios problemas com congestionamentos em horários de pico. Dois desses gargalos são a Rodovia Duca Serra, na Zona Oeste, e a Avenida Tancredo Neves, na Zona Norte. O problema só deve aumentar se a malha viária do município não sofrer investimentos a curto prazo.

Na Lagoa dos Índios o trânsito afunila e a situação piora

Na Lagoa dos Índios o trânsito afunila e a situação piora

Em comparação com outras cidades do país, Macapá possui mais automóveis por habitantes que Belém, por exemplo. A capital paraense tem um milhão de habitantes para uma frota de 398 mil automóveis, totalizando 0,27 veículo por pessoa. Já Macapá tem 446 mil habitantes e 133 mil veículos, resultando em 0,29 automóvel por pessoa.

Segundo dados do Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRE), a tendência é que até o fim deste ano mais 9.700 veículos sejam incorporados à frota que já existe na capital, aumentando os congestionamentos. “O que temos em Macapá é um problema estrutural. A frota cresceu absurdamente, mas não houve nenhuma mudança na malha viária. Isso acarreta os problemas de engarrafamento que estamos vivenciando”, explicou o capitão Rodinele Marques, comandante do BPRE.

Nos horários de pico o trânsito fica muito lento

Nos horários de pico o trânsito fica muito lento

De acordo com o levantamento do BPRE, o crescimento da frota não é apenas em Macapá, mas em todo o estado. Em Santana, de 2010 a 2015 a frota de veículos passou de 12 para 21 mil. A cidade portuária segue uma tendência de crescimento médio anual de 2 mil veículos. Até 2018, de acordo com os estudos, Macapá terá cerca de 170 mil veículos e Santana terá quase 30 mil. Vale destacar que grande parte dos moradores de Santana se deslocam para Macapá para trabalhar, estudar ou mesmo para o lazer. Assim, as ruas da capital ficam ainda mais congestionadas.

Na saída do Marabaixo é quase impossível entrar na rodovia

Na saída do Marabaixo é quase impossível entrar na rodovia

Existem pontos da cidade que a população já enfrenta engarrafamentos de até 30 minutos, como é o caso da Duca Serra, que além de ser rota dos moradores dos bairros que ficam ao longo da rodovia, também é passagem para quem vem de Santana para Macapá. “Se eu sair de casa às 7 horas vou chegar atrasado ao meu trabalho, que fica no Centro. Por isso, saio todos os dias às 6h20min. Não pego o engarrafamento da Duca Serra que é um sufoco”, comentou Edoelson Uchôa, que mora no conjunto Cabralzinho.

Para o técnico do IBGE, Joel Lima, Macapá tem uma área urbana pequena e uma quantidade desproporcional de pessoas, sendo que esse crescimento não foi acompanhado pelo poder público. “Não houve um planejamento na malha viária como em outras cidades, que construíram viadutos, passarelas ou rodovias. Se você olhar melhor, vai perceber que a cidade é a mesma de 50 anos atrás, com poucas mudanças estruturais e isso tudo reflete no caos que se tornou o trânsito de Macapá”, avaliou.

Ninguém aguenta mais  esse caos na Duca Serra

Ninguém aguenta mais esse caos na Duca Serra

A solução para a Zona Oeste da cidade, segundo a Secretaria Estadual de Transportes (Setrap), é a duplicação da Rodovia Duca Serra e a conclusão das obras da Rodovia Norte/Sul. Segundo o secretário Odival Monterrozo Leite, o projeto de duplicação da Duca Serra, que vem sendo desenhado desde 2005, tem prazo de conclusão até setembro desse ano. “Estamos finalizando o projeto e encaminhando para o gabinete do governador. Nesse inverno estamos aproveitando para fazer um planejamento do grande potencial da duplicação e avaliando o benefício dessa obra”, frisou.

 

A curto prazo não existe projeto para melhorar esse caos

A curto prazo não existe projeto para melhorar esse caos

 

Enquanto a duplicação não ocorre quem toma conta de viabilizar a fluidez no trânsito das 23 rodovias do Estado é o BPRE. Em quase um ano de funcionamento, o Batalhão já identificou que as principais causas de acidentes são: iluminação deficiente, retorno improvisado, parada de ônibus irregular, buracos e falhas na pavimentação, semáforos em excesso e com mal funcionamento, saturação estrutural e claro, o aumento significativo de veículos.

Fotos: Anderson Calandrini

Compartilhamentos