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Há poucos anos um fenômeno do mercado de alimentos tem mudado o comportamento dos amapaenses. Os velhos “atacadões” estão cada vez mais parecidos com supermercados, e já até ganharam apelido: “atacarejos”. Os consumidores passaram a ser atraídos não apenas pelos preços mais baixos, mas também  pela comodidade de estar num lugar com departamentos. Os atacarejos, que oferecem até panificadoras e açougues, crescem em grande velocidade, principalmente em Macapá.

Essa modalidade de comércio não é tão nova assim. No país, os atacarejos (mistura das palavras “atacado” e “varejo”) já existem há mais de 20 anos, mas só há pouco tempo chegaram ao Amapá.

Atacado com hortifruti...

Atacado com hortifruti…

Hoje, 110 empresas estão filiadas à Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado do Amapá (Adaap). Desse total, 10% aproximadamente, seguem esse modelo de atacado e varejo. O restante das empresas atua apenas na distribuição de mercadorias.

...e outro com agougue

…e outro com agougue

“Os atacadistas tem um poder de barganha maior com as fábricas, o que garante a eles um maior poder de compra, podendo assim baratear os  produtos e repassarem as mercadorias com um valor bem mais baixo para o consumidor final”, explica o empresário Rudimar Carlos Tres , presidente da associação.  

A cada ano surgem novos empreendimentos nesse modelo. Só no ano passado, dois grandes se instalaram em Macapá, um deles é uma franquia gigante que domina o mercado de outros estados.

Maria Amélia: "nos mercadinhos de bairro a gente compra pouquinho"

Maria Amélia: “nos mercadinhos de bairro a gente compra pouquinho”

 

Por causa do frete, atacadistas procuram comprar produtos de centros mais próximos

Por causa do frete, atacadistas procuram comprar produtos de centros mais próximos

Dentro desses espaços, é possível encontrar desde padaria até açougue, e é esse o maior atrativo. O consumidor pode encontrar os produtos mais comuns com preço de atacado e ainda escolher a carne ou um pão quentinho.

Rudimar: barganha com as fábricas

Rudimar: barganha com as fábricas

A praticidade caiu no gosto, especialmente das donas de casa. “Com certeza sai bem mais barato comprar nesse tipo de estabelecimento do que comprar nos mercadinhos de bairro. Lá a gente entra com R$ 100 e compra um pouquinho de coisa. Já nesses lugares não”, diz a comerciante e dona de casa Maria Amélia.

O preço de alguns produtos da cesta básica como, feijão e o  arroz, já podem ser comparados aos de outros estados mais próximos dos centros produtores.

Mas é claro que nem tudo são flores. O percalço maior ainda é o frete, que influencia muito no preço de alguns produtos. Para chegar ao Amapá, a mercadoria ainda tem que percorrer milhares de quilômetros em caminhões até o Pará, e depois em balsas para chegar às prateleiras amapaenses.

As distribuidoras e atacadistas tem procurado comprar de regiões produtoras mais próximas para reduzir o custo com os fretes. Apesar dessa dificuldade, os atacarejos vieram pra ficar.

Reportagem e fotos: André Thiago

 

 

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