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 O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) usou a tribuna do Senado na última para cobrar um posicionamento público da mineradora indiana Zamin Ferrous, a corporação que desencadeou uma crise sem precedentes no setor mineral do Estado no último ano. A empresa já promoveu demissões em massa, deve milhões para fornecedores e causou a paralisação total da exportação de minério de ferro no Estado.

A Zamin comprou o controle acionário e os ativos da Anglo Ferrous pouco antes do desabamento do porto flutuante da empresa na área portuária de Santana em março de 2013, a mesma estrutura que pertenceu à Icomi durante mais de 4 décadas.

Randolfe: concessão da estrada de ferro deveria ser cancelada

Randolfe: concessão da estrada de ferro deveria ser cancelada. Foto: Ascom

 

Depois do acidente, onde morreram seis operários, a exportação passou a ser feita de maneira precária com o transporte do minério em caminhões até navios estrangeiros com bandeiras, principalmente, asiáticas. Mesmo assim, a Zamin faturou US$ 216 milhões, segundo dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Amapá (Seicom). No auge das operações, o minério de ferro chegou a responder por 92% das exportações.

No segundo semestre do ano passado, as operações foram suspensas pela empresa que alegou incapacidade para estocar mais minério em Pedra Branca do Amapari, onde fica sua mina. Foi o início da crise. Além dos 700 empregos diretos e 1,7 mil trabalhadores terceirizados, estima-se que mais de cinco mil empregos indiretos tenham sido afetados.

A arrecadação da prefeitura de Pedra Branca do Amapari despencou mergulhando a gestão municipal numa crise financeira que também afetou a vizinha cidade de Serra do Navio. Segundo o senador, a Zamin tem adotado uma postura de ‘inadimplência contumaz’ ao acumular dívidas com fornecedores, trabalhadores e tributos que somariam pelo menos R$ 190 milhões. O FGTS e o INSS dos trabalhadores também não estariam sendo respeitados.

Acidente ocorrido no dia 28 de março matou 6 operários

Acidente ocorrido no dia 28 de março matou 6 operários

Há cerca de duas semanas, a Estrada de Ferro do Amapá teve suas atividades paralisadas. Os agricultores não conseguem mais transportar a produção no trem de Serra de Navio até o município de Santana. O senador voltou a defender que a concessão da linha férrea, que também está nas mãos da Zamin, seja anulada. “Estado deveria realizar uma nova licitação. Não é aceitável deixar a concessão da Estrada de Ferro nas mãos de uma empresa que tem cometido tantos crimes contra o povo amapaense”, concluiu, informando que fez representação na Polícia Federal e no Ministério Público Federal contra a empresa.

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