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Um vídeo entregue ao Conselho Tutelar de Santana mostra uma menina de aproximadamente 9 anos sendo espancada brutalmente pela mãe, em uma casa no Bairro Nova Brasília II. A menina foi retirada da família e está morando com a avó paterna até que a Justiça decida qual será seu destino.

As imagens são fortes e foram gravadas na semana passada. Nelas a menina está sentada no chão de uma sala. Ela já está chorando quando a mãe se aproxima e ataca. Ela derruba a menina, que leva repetidos tapas e chutes no estômago e no rosto. A menina começa a chorar ainda mais, e as agressões voltam a acontecer. Alguém na sala está filmando com um celular.

Menina leva repetidos tapas no rosto

Menina leva repetidos tapas no rosto

No último sábado, 18, o vídeo foi repassado para o Conselho Tutelar de Santana que não demorou para identificar o endereço. Dois conselheiros foram até a casa e foram atendidos pela mulher que aparece nas imagens. Trata-se de Franciete da Cunha, mãe biológica da menina.

“Imediatamente realizamos a medida protetiva. Tiramos a menina de lá e chamamos o pai que deu queixa na polícia orientado por nós. Agora a criança está na casa da avó paterna. Fizemos um relatório e entregamos à Promotoria de Justiça da Infância e Juventude que deve encaminhar o caso à Justiça”, explicou a conselheira Cristina Nobre.

Nesta segunda-feira, 20, os conselheiros foram até a casa da avó para visitar a menina. Ela está triste, e disse que não foi a primeira vez que a mãe agiu com extrema violência. “Ela só não foi presa porque já tinham passado 24 horas do flagrante. Mas ela responderá. A menina deverá passar por um trabalho psicossocial e exames porque, apesar de não ter hematomas aparentes, ela queixa-se de dores que podem ser fruto de alguma lesão interna”, ponderou a conselheira.

Movimento pela Paz

Esse foi o primeiro caso de violência contra criança recebido em vídeo pelo conselho, mas há muitas histórias tristes como a da menina espancada pela mãe. Na verdade a violência de forma geral é preocupante em Santana. Esses casos motivaram a criação do “Movimento pela Paz e Segurança nas Escolas de Santana”.

Menina chora após as agressões

Menina chora após as agressões

Na próxima sexta-feira, 24, uma audiência pública vai discutir o assunto e no sábado, 25, uma caminhada pelas ruas de Santana vai pedir paz. Nesta segunda-feira, representantes do movimento, que nasceu de um grupo de professores no WhatsAap, foram recebidos pela presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargadora Sueli Pini.

“Temos dois casos de alunos assassinados este ano, e de alunos esfaqueados dentro da escola. Então resolvemos nos unir pra cobrar das autoridades competentes políticas que ajudam a mudar essa realidade”, justifica Regina Sanches, uma das coordenadoras do movimento.

Estudante André Marques Pereira foi assassinado na semana passada na porta da escola, em Santana

Estudante André Marques Pereira foi assassinado na semana passada na porta da escola, em Santana

O movimento tem várias propostas. “Uma delas é um sistema de monitoramento para as escolas com recursos de emenda parlamentar. A deputada federal Marcivânia (PT) já se comprometeu em ajudar. Outra proposta é criar um fórum permanente de discussão e uma lei nacional que torne crime hediondo a agressão de professores”, explica Esther de Paula, da Fundação “Orvalho e Vermon”, uma das entidades que compõe o Movimento pela Paz.

O último caso extremo de violência na escola foi assassinato do estudante André Marques Pereira, de 20 anos, na Escola Igarapé da Fortaleza. Ele foi morto a facadas porque estaria se relacionando com a namorada de um bandido que ainda não foi preso,

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