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Carlos antes do início do tratamento. Vida comum como de qualquer menino da idade

Carlos antes do início do tratamento. Vida comum como de qualquer menino da idade

O menino que virou símbolo da luta por melhores condições de tratamento a pacientes de câncer no Amapá não resistiu. Carlos Daniel Cardoso Pereira, de 7 anos, perdeu a guerra contra a leucemia e morreu por volta das 16 horas desta terça-feira, 21, no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo. Ele estava em coma induzido há cerca de 20 dias por causa de uma infecção no cérebro e teve duas paradas cardíacas.

O estado de saúde do pequeno Carlos agravou-se depois da última sessão de quimioterapia ainda em março. O tratamento era tão agressivo que praticamente destruía o sistema imunológico do menino. Ele chegava a perder a capacidade de falar durante dias, nas últimas semanas tinha sintomas de toxoplasmose, mas os exames deram negativo para esta e outras doenças.

Os médicos depois descobriram que ele tinha uma infecção no cérebro e precisaram colocá-lo em coma para tentar controlar a infecção de origem desconhecida. Foi a última vez que o pai, Agenilson Pereira, de 38 anos, ouviu a voz do filho. Os médicos vinham usando antibióticos para controlar a infecção, mas o tratamento só teria mais sucesso se fosse descoberta a sua origem.

A esperança é era que uma neo-cirurgia exploratória, que seria realizada na quarta-feira, 22, pudesse dar o diagnóstico.  Ainda na segunda-feira, um exame revelou um grande edema cerebral. Na madrugada, Carlos teve uma parada cardíaca. Os médicos conseguiram reanimá-lo, mas a tarde o menino acabou não resistindo. “A médica disse que ele estava sofrendo. Agora está com Deus. Partiu o meu Carlos”, relatou muito emocionado o pai por telefone.

Os últimos dias foram em uma UTI

Os últimos dias foram em uma UTI

Agenilson, que criava o filho sozinho após a separação da esposa, mudou-se para São Paulo em setembro do ano passado logo depois do diagnóstico de leucemia linfóide aguda. Se desfez de vários bens e deixou tudo para trás para acompanhar Carlos todos os dias. Fez tudo o que um pai poderia fazer. Tinha a companhia dos avós paternos do menino e a torcida e a oração de muitos amigos no Amapá, inclusive da minha. A mãe do menino também estava há 15 dias em São Paulo. O sepultamento será em Macapá provavelmente na quinta-feira, 23.

Carlos e outras dezenas de crianças passaram por maus momentos quando mais precisaram de ajuda do Estado por meio do Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Os atrasos no repasse de recursos para as famílias começou no ano passado, e só começaram a ser normalizados nas últimas semanas. Mesmo assim, ainda há atrasos pontuais.

Nos últimos dias do coma, Carlos pedia muito para voltar a Macapá. Não aguentava mais os efeitos do tratamento. A única diversão era o videogame e as brincadeiras com o pai.

Para Carlos o sofrimento acabou, mas não para pelo menos 60 crianças que ainda lutam por suas vidas em outros estados onde há tratamento. Um dia, quem sabe, nenhuma mais precisará deixar o Amapá. 

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