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Anderson Calandrini

Só em três ocasiões as pessoas estão decidindo enfrentar os atoleiros da BR-156 no trecho norte entre os municípios de Calçoene e Oiapoque: doença, trabalho ou retorno, no caso de ser um morador de Oiapoque. Os doentes que precisam se deslocar à capital em busca de tratamento também acabam enfrentando o lamaçal. A viagem desesperadora, que antes era feita no máximo 12 horas, está custando 24 horas ou mais.

A BR-156 começa em Laranjal do Jari (Sul do Amapá) e termina em Oiapoque. São mais de 800 quilômetros. Mas são os 150 quilômetros que precisam ser pavimentados no trecho norte os que mais atormentam os viajantes. O pior trecho fica no Cassiporé, a 90 quilômetros de Oiapoque.

Fila de motoristas à espera de ajuda

Fila de motoristas à espera de ajuda. Muito passam a noite dentro dos carros

As chuvas castigam a região dia e noite piorando ainda mais o que já está ruim. Os caminhoneiros contabilizam os prejuízos da viagem. “Tenho que fazer a viagem pelo menos duas vezes na semana, o que nessas condições significa constantes quebras de peças e atrasos no meu serviço. Na última viagem de retorno, na última quinta-feira, cheguei a carcaça de proteção da caixa de marcha quebrada, após 22 horas de viagem, proporcionado pela falta de assistência noturna nos pontos de atoleiros”, contou o caminhoneiro Djones Dias.

Passageiros precisam dormir dentro dos ônibus. A ajuda só chega na manhã seguinte

Passageiros precisam dormir dentro dos ônibus. A ajuda só chega na manhã seguinte

Segundo ele, nesta viagem o motivo do atraso foi um ônibus que ficou atolado exatamente na área da estrada que sofreu uma erosão há cerca de duas semanas. “A maior dificuldade é a falta de ajuda noturna. Os veículos ficam parados porque os motoristas ficam com medo de ficar presos. A ajuda só chega na manhã seguinte, como foi o que aconteceu com o ônibus que atolou. Quando cheguei na maior área de atoleiro, às 8 horas da quinta-feira, 7, já estava acontecendo o serviço de reboque, mas o veículo passou a noite atolado com os passageiros amontoados dentro do coletivo”, recordou caminhoneiro.

Um problema parecido já havia ocorrido nesta semana quando um caminhão que transportava botijões de gás ficou preso ao lado da construção da ponte. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) teve que ajudar nas ações de retirada do veículo da área de atoleiro.  

No caso de Djones, a viagem começou às 20 horas da quinta-feira, 7, e só chegou ao fim às 18 horas da sexta-feira, 8. Ou seja, 22 horas depois. Enquanto você está lendo essa reportagem, dezenas de pessoas passam pela mesma situação.

Os atoleiros na BR “norte” são uma realidade sazonal. Mas depois de tantos anos, promessas e governos, será que ano vai acontecer tudo de novo?

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