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Desde o início de 2014, o Centro Socioeducativo de Internação Masculina (Ceseim) se tornou um barril de pólvora pronto para explodir. As constantes fugas são o termômetro para isso. Mas algumas ações começam a ser desenvolvidas com o objetivo de apagar esse pavio.

Nesta quinta-feira, 28, aconteceu o lançamento de um projeto que visa usar as artes marciais para ressocializar os menores infratores internados no centro. Os internos foram apresentados ao karatê, boxe e à capoeira. Se houver interesse, eles poderão formar turmas dentro do centro.

Atletas do boxe fizeram apresentações para os jovens

Atletas do boxe fizeram apresentações para os jovens

A iniciativa é da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, que levou o projeto para dentro do Ceseim com ajuda de parceiros como a Polícia Militar e o Tribunal de Justiça do Amapá. As artes marciais envolvem esforço físico, disciplina e controle emocional, e é disso que os jovens que escolheram o caminho do crime estão precisando.

A ideia do projeto surgiu em uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. Na oportunidade, a direção do centro apresentou vários problemas ocorridos dentro do maior centro de reclusão para menores infratores do estado. Na audiência, a diretoria do Ceseim aproveitou para pedir ajuda dos parlamentares.

“O projeto começou a ser moldado quando fiz a primeira inspeção como representante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia no centro. Observamos muitos problemas que vão demorar para serem resolvidos devido a burocracia. Foi então que perguntamos a diretora da Fcria, Albanize Colares, como poderíamos ajudar nessa mudança? Então ela nos convidou para trabalhar o social dentro do Ceseim. Ir realmente para dentro do local e buscar melhorias imediatas”, contou o deputado estadual Pedro da Lua, presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Deputado Pedro da Lua, faixa preta de karatê, levou a ideia para direção do Ceseim

Deputado Pedro da Lua, faixa preta de karatê, levou a ideia para direção do Ceseim

A apresentação do projeto aconteceu nesta tarde, quando os menores infratores observaram demonstração de várias artes marciais. “Agora eles poderão procurar a direção do Ceseim e escolher uma modalidade. Caso a turma alcance o mínimo de 10 alunos, garantiremos pelo menos um aula semanal”, acrescentou Pedro Da Lua, que é faixa preta de karatê.

Para ele, diferente do que muitos pensam, a arte marcial pode sim tirar esses meninos do mundo crime. Se eles perceberem que existem muitas pessoas lutando pelo seu futuro, isso será um ganho emocional, que pode suprir as carências ou desavenças que os adolescentes trazem de casa ou dos círculos sociais em que cresceram.

Para Albanize Colares, a atividade é um complemento dentro do centro, que agora poderá aplicar duas formas de ressocialização: a educação e o esporte.

“O esporte, atrelado a outros projetos que estamos implantando, é muito importante para esses garotos que querem realmente mudar de vida. É uma forma de dar um novo caminho aos garotos. Sabemos que nem todos irão participar, mas esperamos poder mudar a vida daqueles que se propuserem a aceitar a nossa ajuda na busca de garantia de uma vida melhor, longe da criminalidade”, elencou a diretora.

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