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Usando a tribuna do Senado Federal na tarde desta quinta-feira, 28, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) traçou um perfil da atual situação estrutural e administrativa pela qual está passando o município de Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá. Ele pediu apoio aos demais senadores para que ajudem na busca de soluções para os problemas elencados.

O senador mostrou que o quarto maior município do Amapá, com aproximadamente 24 mil habitantes, sofre com o péssimo estado da BR-156, epidemia da febre chikungunya, precárias condições urbanas e a conturbada relação de fronteira com a Guiana Francesa. Isso tudo sem contar com as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica.

“Esta situação é insuportável. Prova disso aconteceu no dia 19 de maio, quando a população saiu às ruas do município na maior manifestação popular da história daquela cidade. Foram mais de duas mil pessoas protestando contra o descaso”, comentou.

São apenas 113 quilômetros de estrada sem asfalto que todos os anos isolam Oiapoque

São apenas 113 quilômetros de estrada sem asfalto que todos os anos isolam Oiapoque

Segundo Randolfe, a BR-156 é considerada a espinha dorsal do Amapá porque interliga a maioria dos municípios, além de cumprir o papel estratégico de integrar o Brasil ao Platô das Guianas. Mesmo com essa importância, a rodovia ainda padece com 112 quilômetros sem pavimentação. O reflexo disso é o isolamento do município no período de chuvas. Para o senador, o atraso de quase 40 anos para a conclusão da obra se deve ao descaso dos governos estadual e federal.

“Eu só vejo uma alternativa pra BR-156. O Exército assumir as obras, minimizando a possibilidade de desvios de recursos, e enfim, terminar a pavimentação”, afirmou.

Mais problemas:

A população de Oiapoque também enfrenta transtornos com o racionamento no fornecimento de energia elétrica. O município é o único isolado do Estado, que não está sendo interligado ao Sistema Nacional.

“Por isso, uma das justas reivindicações da população é a construção de uma linha de transmissão ligando o município ao Sistema Nacional”, comentou o senador.

Na semana passada, um grande protesto levou centenas de moradores para as ruas. Fotos: Humberto Baía

Na semana passada, um grande protesto levou centenas de moradores para as ruas

Oiapoque também enfrenta há mais de um ano uma epidemia de febre chikungunya, sendo o segundo município do país com maior número de registros da doença, ficando atrás apenas do município de Feira de Santana, na Bahia.

“Aproximadamente 90% dos mais de dois mil casos confirmados no Amapá, ocorreram no município do Oiapoque”, declarou Randolfe.

Além da rodovia, da energia elétrica e das precárias condições de saúde, o município também sofre com péssimas condições urbanas, particularmente em relação ao saneamento básico onde é zero a coleta e tratamento de esgoto.

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