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De acordo com o Ministério Público do Trabalho, existem no Amapá cerca de 8 mil crianças trabalhando, principalmente na rua. Esse dado alarmante foi apresentado na manhã desta sexta-feira, 12, na Praça da Bandeira, durante um ato contra o trabalho infantil. As autoridades afirmam que as consequências são bem mais profundas que a evasão escolar.

“A criança tem o desenvolvimento físico prejudicado, motor, respiratório e mental. Isso tudo reflete na formação mental e moral, privando a criança do lazer e da escola. É aí que a situação piora, porque criança fora da escola gera marginalização”, explicou o procurador do Ministério Público do Trabalho, Rafael Mondego.

Procurador Rafael Mondego: desenvolvimento prejudicado

Procurador Rafael Mondego: desenvolvimento prejudicado

Segundo o MP, o trabalho infantil está espalhado por todo o estado, sobretudo nos municípios de Macapá e Santana. Em 60% dos casos, as crianças atuam como flanelinhas, vigias, vendedores de lanches e no trabalho doméstico. Nos outros municípios, as denúncias giram em torno de trabalhos agrícolas e em carvoarias. Em quase 70% dessas situações, as crianças são do sexo masculino.

“Quase na maioria dos casos fica evidente que as crianças ganham auxílio do governo e trabalham a mando dos pais ou responsáveis. Temos um plano de ações que visa conscientizar as crianças. Por isso começamos com alunos para aprender seus direitos e deveres”, destacou o auditor da Superintendência do Trabalho e Emprego no Amapá, Ediraldo Homobono.

Ato público mobilizou crianças. Fotos: Cássia Lima

Ato público mobilizou crianças. Fotos: Cássia Lima

No ato público desta sexta-feira, as crianças que passavam pelo local foram orientadas sobre direitos e deveres.

“A criança não deve trabalhar, mas sim, ajudar os pais em casa. Isso não faz mal. O que eu não posso fazer é trabalhar como adulto”, disse Maria Helena, de 11 anos, mostrando que aprendeu a lição.

O trabalho infantil é toda forma de trabalho exercido por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima legal permitida, que é de 15 anos. Em casos graves o crime é prescrito como maus tratos no código penal.

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