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Os servidores que cuidam da segurança interna no Centro Socioeducativo de Internação Masculina (Cesein), no Bairro do Beirol, precisam também estar com os olhos voltados para o céu. Inesperadamente, e não é raro, eles podem avistar as famosas “barcas” voando em direção ao centro depois de terem sido atiradas do Conjunto Mucajá. Só na tarde deste domingo, 28, os agentes recolheram três delas atiradas em horários diferentes.

As barcas são sacolas ou pacotes com cigarros, maconha, crack, celulares e até serras, atirados por parentes ou ex-internos por cima do muro do centro. A primeira, lançada por volta de 12h30min, continha apenas cachaça.

A segunda, atirada às 13h10min, transportava tabaco e dois pedaços de serras com 25 centímetros cada. Por volta das 15 horas, os agentes viram a terceira barca chegando. Tinha dois maços de cigarros e uma barra de maconha.

Uma das 3 barcas: maconha e cigarros

Uma das 3 barcas: maconha e cigarros

As barcas não são a única preocupação dos servidores. Eles se expõem sempre que interceptam as encomendas, e recebem ameaças de morte dos internos enquanto recolhem os objetos lançados.

“Às vezes encontramos esses adolescentes lá fora. Já tivemos amigos que foram quase mortos lá fora em represália. É uma atividade muita perigosa”, desabafa um agente.

O Cesein está com o dobro da capacidade. Esta semana seis internos, entre eles um acusado de homicídio, conseguiram fugir serrando as grades. O trabalho dos servidores é dificultado por três fatores: a proximidade dos blocos de celas em relação ao muro, número reduzido de agentes e de rádios de comunicação. “Temos apenas cinco rádios e que nem funcionam direito”, relata outro agente.  

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