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Humberto Baía, de Oiapoque – Mais de 1 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram do protesto desta sexta-feira, 12, no município de Oiapoque contra a violência aos povos indígenas. A mobilização foi organizada pela ONG Acorda Oiapoque e por lideranças indígenas de dezenas de aldeias. O ato foi um grito de socorro depois do assassinato de dois índios em menos de 1 mês. Durante o protesto, o subcomandante da PM na região pediu desculpas aos pais de uma das vítimas.

A região tem cerca de 7 mil índios divididos em 39 aldeias, mas a convivência pacífica tem sido estremecida nos últimos meses, especialmente depois dos dois homicídios ocorridos em menos de 30 dias. Uma das vítimas era militar do Exército e da etnia Kumarumã.

Sob a liderança do presidente dos caciques, Paulo dos Santos, a comunidade decidiu fazer um protesto. A passeata percorreu as principais ruas de Oiapoque. Quinze caciques faziam a “comissão de frente” portando arco, flechas e bordunas.

Um grupo de cacique fez uma espécie de comissão de frente com arcos e flexas. Fotos: Humberto Baía

Um grupo de cacique fez uma espécie de comissão de frente com arcos e flexas. Fotos: Humberto Baía

Com gritos de “justiça”, os índios fizeram uma homenagem ao militar assassinado por um PM em frente o prédio da Policia Federal, onde o soldado do Exército Romário dos Santos caiu baleado há mais de uma semana. Um parente da vítima deitou no chão dentro de um círculo no exato local onde o militar tombou sem vida.

Depois a manifestação seguiu até o 12º Batalhão da PM onde um grupo de caciques foi recebido pelo subcomandante do destacamento, major Costa Junior, que apresentou formalmente as desculpas aos pais das vítimas em nome da corporação, e reconheceu que nada poderá trazer o Romário de volta. “Mas a PM está acompanhado de perto o caso”, comentou o oficial.

O soldado Ted Wilson, que matou o indígena, está preso no comando da Polícia Militar em Macapá. O subcomandante entregou aos pais de vítima uma cópia do processo.

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