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Foi aberta neste fim de semana a exposição Expressão de Tons, que é uma homenagem a artista plástico R. Peixe, que faria 84 anos este mês. Fazem parte da mostra 40 obras inéditas do artista que retratam as paisagens e costumes da Amazônia e do Nordeste. As obras são do acervo pessoal da família.

Quadro de R. Peixe (1995) mostrando a antiga Doca da Fortaleza de Macapá

Quadro de R. Peixe (1995) mostrando a antiga Doca da Fortaleza de Macapá

No total a exposição tem 118 peças, entre quadros e esculturas que nunca tinham vindo ao Amapá, e estavam guardados na casa onde o artista viveu os últimos anos de sua vida no Rio Grande do Norte. A curiosidade é que as peças só chegaram a Macapá no ano passado, 10 anos depois da morte do artista, que gostava de retratar o cotidiano do povo da Amazônia.

“O público terá acesso a obras nunca divulgadas e que ficaram guardadas durante dez anos. Meu pai dedicou toda a sua vida às artes plásticas e levou o nome do Amapá para várias partes do mundo. Sendo assim, é imprescindível que suas obras não sejam esquecidas e possam ser apreciadas por toda a população amapaense”, explicou o filho do artista, Beto Peixe.

A exposição foi montada no Monumento Marco Zero, e entre as novidades está um quadro em branco, em que consta apenas a assinatura de R.Peixe, que será pintados por vários artistas.

R. Peixe gostava de retratar em suas telas as belezas de Macapá

R. Peixe gostava de retratar em suas telas as belezas de Macapá

“Achamos muitas telas inacabadas. Algumas em branco, somente assinadas por R. Peixe. Sabemos da importância destas telas e decidimos colocar à disposição dos artistas para que cada um dê sua parcela de contribuição para compor o quadro. Meu pai ajudou a formar e influenciou muitos artistas. Então, todos os seus seguidores estão convidados a participar”, finalizou Beto.

Vida e obra

Nascido em São Caetano de Odivelas, Pará, em 10 de julho de 1931, R. Peixe é conhecido, principalmente, pela sua vocação às artes plásticas, que retratam os pontos turísticos do Amapá. Entretanto, dedicou sua vida a outras três vertentes: futebol, carnaval e o mundo empresarial.

R. Peixe fundou a Escola de Artes Cândido Portinari em Macapá

R. Peixe fundou a Escola de Artes Cândido Portinari em Macapá em 1973

O artista paraense chegou ao Amapá em 1953, já casado com Maria de Nazaré de Souza Almeida, com quem teve seis filhos: Irezenilda, Sidney, Irenilda, Reginaldo, Heliberto e Idezenilda. Dois deles herdaram o sangue artístico do pai: Beto Peixe (Heliberto) e Irê Peixe (Irenilda).

Procurando aprimorar-se, entrou para a Escola Nacional de Belas Artes em 1963, mas cursou até o 4º ano. Realizou sua primeira exposição individual em 1964, na sede do Esporte Clube Macapá.

A arte impressionista do caboclo R. Peixe impressionou até mesmo o presidente da República, na época Emílio Médici, que recebeu o artista em audiência, em 1973, agraciando-o com uma bolsa que lhe propiciou concluir os estudos na Escola Nacional de Belas Artes. Naquele mesmo ano, R. Peixe fundou a Escola Cândido Portinari, tornando-se professor de 1973 a 1981.

Na década de 1990 o artista mudou para a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, e logo começou a trabalhar intensamente para divulgar os costumes e as tradições do Pará, Amapá e Rio Grande do Norte, em telas e esculturas que retratam a vida dos estados por onde passou.

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