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Empresários do setor produtivo apresentaram neste fim de semana ao governo do Estado as perspectivas para os próximos anos em pesquisa e produção de grãos. A tendência é que a produção de soja e de milho aumente, mas as empresas que apostam nesse ramo se queixam da morosidade de processos como o de licenciamento ambiental. A falta de regularização fundiária é outro problema. Eles entregaram um documento ao governador do Estado, Waldez Góes (PDT), com uma lista de sugestões para estimular o setor.

Durante a manhã do último sábado, 18, uma comitiva com representantes do governo do Estado e de empresas de produção de sementes visitou as três maiores lavouras de milho e soja do Amapá, numa iniciativa da Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja).

Produtores querem investir, mas ainda não possuem licenciamento ambiental

Outros produtores querem investir, mas ainda não possuem licenciamento ambiental. Fotos:Cássia Lima

As fazendas estão localizadas no Distrito de Santo Antônio da Pedreira, na AP 070. Uma delas tem uma plantação de milho que se estende numa área de 600 hectares com 14 variedades.

Daniel Sebben, da Aproja: pouco avanço em muito tempo

Daniel Sebben, da Aproja: pouco avanço em muito tempo

“Com seis anos de plantação já se retira de 50 a 80 sacos de milho por safra o que é muito comparado a outros estados. Mas nosso grande desafio é o clima. O Amapá tem mais de quatro meses de chuva e um período curto de sol durante o dia e a terra precisa de um cuidado mais minucioso. Falta um pouco mais para produzirmos milho de alta qualidade”, destacou o produtor Antônio Nissola, precursor na plantação de milho no estado.

O plantio das sementes ocorre entre os meses de março e abril, e a colheita é realizada em julho. Ao todo, 25 produtores possuem mais de 10 mil hectares de terras para estudos e testes do agronegócio no Amapá. A maioria preparou o solo por mais de dois anos para poder fazer o plantio. O objetivo é realizar duas safras por ano, mas ainda há muito o que avançar.

“Nós enfrentamos problemas básicos que acabam dificultando muito nossa lavoura. Primeiro não possuímos infraestrutura mínima de transporte e armazenamento, falta de política fundiária e reconhecimentos de terras para a retirada do licenciamento ambiental. Pode parecer simples, mas essas questões interferem na compra de sementes, transporte e venda do milho e soja. Conseguimos avançar pouco em muito tempo. O Amapá tem um enorme potencial”, enfatizou o presidente da Aprosoja, Daniel Sebben.

Outras espécies de soja crescem sadias e são mais férteis

Outras espécies de soja crescem sadias e são mais férteis

De acordo com a associação, são vários os produtores querendo investir no setor, mas eles ainda não possuem licença do estado. Para o governador Waldez Góes, o setor é fundamental para a produção de alimentos e deve ser fomentado.

“Percebemos que mesmo diante de tanta dificuldade esses produtores não deixaram de investir nas nossas terras. Esse é o momento de investirmos no setor criando ambientes favoráveis e fomentando a cadeia de produção de alimentos no Amapá. O estado precisa ter o mínimo de produção possível para a população e indústria”.

Governador recebeu documento com uma série de pedidos para estimular a produção

Governador recebeu documento com uma série de pedidos para estimular a produção

O grande destaque da visita na fazenda Sementes Cajueiro, onde em 700 hectares estão sendo cultivadas 10 espécies diferentes de soja. Pelo menos 5 são muito promissoras. A ideia é que até no próximo ano sejam selecionadas as sementes mais sadias para um plantio em longa escala. Segundo o dono da fazenda, o empresário Idone Luiz Groldi, o Amapá possui capacidade de produção maior que outros estados do norte.

“Nós enfrentamos todas as dificuldades para chegar nessas sementes uniformes, férteis e sadias. Ainda enfrentamos dificuldades com insetos e pragas. Mas sabemos por meio de estudos que existem espécies mais adaptáveis que outras tendo o mesmo tempo de vida e as mesmas condições”.

O Amapá é um dos poucos estados do Brasil que ainda não investiu de forma maciça na agricultura, apesar da ligação privilegiada com a Guiana Francesa e do acesso à foz do Rio Amazonas, que é rota dos navios que acessam os portos de Santarém (PA) e Manaus (AM).

A comitiva foi acompanhada por diretores da Embrapa, Sementes Cajueiro, Agrícola Serrado e FiaGrill, interessados nas pesquisas genéticas e desenvolvimentos do milho e soja.

Os empresários esperam colher 100 sacas de sementes de milho e 80 de soja por ano no Amapá até 2018.

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