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No próximo dia 23, o maior incêndio em área residencial da história do Amapá completará dois anos sem que nenhuma família do Bairro Perpétuo Socorro, na Zona Leste da capital, tenha sido remanejada para novas residências. A maioria continua recebendo o aluguel social pago pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Macapá.  Os moradores estão preparando um protesto para pedir pressa do poder público na liberação das casas e apartamentos.

O valor do aluguel social varia entre R$ 350 e R$ 400, dependendo do tamanho do imóvel e da família. No cadastro da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semast) estão 35 famílias, e pela Secretaria de Inclusão e Mobilização Social do Estado (Sims) estão aproximadamente 200 famílias.

Incêndio do Perpétuo Socorro fotografado pelo passageiro de um avião e outros momentos do incêndio. Fotos: Arquivo

Incêndio do Perpétuo Socorro fotografado pelo passageiro de um avião e outros momentos do incêndio. Fotos: Arquivo

Apesar de alguns atrasos, o benefício está sendo pago, mas não é isso que preocupado as famílias.

“No fim do ano passado, informaram pra gente que como o Macapaba já ia ser inaugurado em janeiro ou fevereiro de 2015, a gente não ia mais pro São José, mas acabou que não somos pra nenhum. Agora ficou tudo incerto”, lamenta a dona de casa Luciana dos Santos, que teve a casa queimada e ficou com sequelas graves.

Área onde as casas foram queimadas permanecer desocupada

Área onde as casas foram queimadas permanecer desocupada há 2 anos

Por causa do estresse e de uma queda no corre-corre do dia do incêndio, ela teve dificuldades na gravidez. Um aborto acabou ocorrendo no sétimo mês de gestação.

“Perdi meu primeiro filho. O médico me disse que a principal causa foi psicológica, por causa da pressão de termos perdido tudo e não sabermos o que vai acontecer”, explicou ela.  

Algumas famílias moram nos boxes

Algumas famílias moram nos boxes

O incêndio queimou centenas de casas no dia 23 de outubro depois de uma brincadeira entre homens que bebiam. Três deles chegaram a ser presos à época.

A manifestação está marcada para a próxima sexta-feira, às 16 horas, na Feira da Avenida Ana Nery, onde também, em 1998, mais de 30 casas foram destruídas em outro incêndio de grandes proporções.

Alguns boxes da feira construída no lugar do primeiro incêndio viraram moradias de famílias que não foram beneficiadas com o aluguel social, como é o caso da foto de capa que mostra uma moradora de 93 anos.

A Secretaria de Inclusão e Mobilização Social informou recentemente que a segunda etapa do Macapaba só será entregue pela construtora ao governo do Estado depois que todo o sistema de esgoto for concluído e quando for redefinida a ocupação da primeira etapa do Macapaba, onde alguns apartamentos foram vendidos, alugados ou nunca foram ocupados. Resumindo: o aluguel social vai continuar por mais tempo.

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