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Baseado em documento editado entre as décadas de 1910 e 1930 que relata a violência viva pelas mulheres durante o ciclo da borracha e a construção da estrada de ferro Madeira Mamoré, em Porto Velho (RO), o espetáculo Mulheres do Aluá chega neste segunda-feira, 26 ao Teatro das Bacabeiras, em temporada que encerra amanhã, 27. A peça inicia às 20h e a entrada é franca.

O espetáculo, produzido pelo grupo O imaginário, faz parte do circuito Petrobras de Cultura e tem apoio local do Governo do Estado. Em sua estada em Macapá, o grupo promoveu a oficina “A cena em processo”, nos dias 21 e 22, no Bacabeiras, abordando aspectos da educação e sensibilidade no fazer teatral para alunos e professores da rede pública, com relato de experiências vividas no processo de montagem da peça e das vivências do ator/criador e a cena. A oficina contou com 25 participantes, segundo informações dos produtores locais.

O grupo também visitou instituições de ensino com o Ifap de Santana e a Ueap, realizando aula show sobre o projeto e seu contexto histórico. E foi ainda à Secretaria de Estado da Cultura e Fundação Municipal de Cultura para promover um diálogo sobre gestão pública na área cultural.

Sinopse (dos produtores)

Quatro mulheres/personagens: Bebé Robert, Josefa Cebola, Elisa e Catharina são condenadas e trancadas em celas que ficam numa cidade abandonada no interior da floresta. Com o passar do tempo, se transformaram em “mulheres de pedra”, e uma vez por ano saem desta condição para beber e festejar o “ALUÁ”

Uma vez por ano, elas deixam de ser mulheres de pedra para festejar e relembrar a vida. Fotos e vídeo: Divulgaçãoi

Uma vez por ano, elas deixam de ser mulheres de pedra para festejar e relembrar a vida. Fotos e vídeo: Divulgação

Enquanto estão preparando a bebida, relembram suas memórias, bebem o aluá e depois voltam à condição de mulheres de pedra.
O encenador, com fina sensibilidade, construiu uma encenação estética usando elementos que estabelece um ritual de quatro mulheres, com suas memórias em que a realidade é gerada pelos processos de confecção do aluá e é banhada pelas memórias e pelos mitos amazônicos.

A peça trata da vida das mulheres que deixaram seus nomes em um período histórico importante do desenvolvimento da Amazônia, que não estão nos livros didáticos, mas agora são revelados.

“O espetáculo fala de mulheres ribeirinhas que sofreram e ainda sofrem a opressão na Amazônia e no país como um todo. Trazer essa temática para o teatro é uma oportunidade para revermos nossos conceitos”, pontua Marina Beckman, produtora local do espetáculo.

As personagens foram condenadas por serem detentoras do saber popular, que, numa visão machista da época, era considerada bruxaria. E por serem prostitutas.

 “Foram dois dias de intensas críticas sobre o fazer cultural na Amazônia. Uma valorização da cultura popular. A nossa identidade”, acrescenta Marina.

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