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O Bope é um dos batalhões mais respeitados da Polícia Militar do Amapá, possui alguns dos policiais mais empenhados no combate ao crime, e tem quase 100% de aprovação da sociedade. Mas desta vez, uma operação do batalhão no Bairro Vale Verde, no Distrito de Fazendinha, pode ser investigada. Um homem de 22 anos foi morto a tiros, e a família garante que ele só morreu por ser parecido com um assaltante que estava sendo procurado. O Bope nega.

Na versão da polícia, Raimundo Vilhena Maciel Neto, de 22 anos, teria atirado de dentro de uma casa na direção dos policiais e foi alvejado no revide. Raimundo ainda foi levado para o Hospital de Emergência aonde já chegou morto.

Igreja onde o corpo está sendo velado

Igreja onde o corpo está sendo velado

Na ocorrência policial, os policiais da Ronda Ostensiva Motorizada (Rotam), uma das várias equipes de elite do Bope, garantem que apenas revidaram aos tiros, e apresentaram um revólver calibre 38 que estaria em poder de Raimundo no momento da morte.  Os policiais afirmam que Raimundo Vilhena seria mesmo um assaltante procurado.

Corpo de Raimundo com perfurações de bala. Morto no quarto

Corpo de Raimundo com perfurações de bala. Policiais dizem que revidaram e apresentaram uma arma que seria do suspeito

A família conta outra história. Raimundo morava no Vale Verde, era servente de pedreiro e fez o Enem deste ano. Ele tem uma filha com uma namorada e os dois estavam construindo a casa onde iam morar.

A noite anterior, Raimundo teria passado ao lado do pai, internado no Hospital de Emergência de Macapá. Pela manhã, ele teria voltado para casa para descansar, e estaria dormindo quando os policiais teriam entrado atirando.

“O quarto dele fica ao lado do meu quarto. Primeiro os policiais arrombaram a porta do meu quarto e ficaram na porta apontando a arma para mim. Aí ouvi quando arrombaram a porta do quarto do meu irmão e ouvi os disparos. Depois vi o corpo dele sendo carregado pelos policiais que disseram se tratar de um foragido. Me deram uns tapas e fomos liberados”, disse o servidor público Sami Pinheiro, irmão de Raimundo.

Quando o corpo chegou ao HE, o pai, ainda internado, viu por acaso o corpo do filho sendo carregado e entrou em desespero, assim como outros parentes na porta do hospital.

A família acredita que Raimundo foi confundido com outro criminoso, identificado como Alex Couto. Alex teria namorado com a irmã de Raimundo, e os dois tem uma semelhança física muito grande.

O site SelesNafes.Com ligou inúmeras vezes para a assessoria de comunicação do Bope, mas não conseguiu retorno.

A família está velando o corpo de Raimundo em uma igreja evangélica no Vale Verde, e diz que está reunindo toda a documentação necessária para denunciar o caso à corregedoria da PM. “Vamos ingressar com uma ação contra o estado”, adiantou o irmão.

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