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CÁSSIA LIMA

Um homem desesperado pela condição de saúde da esposa fez um protesto inusitado na manhã desta terça-feira, 5, em frente ao Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), no Centro de Macapá. Ele se acorrentou e fez greve de fome para pressionar o hospital a garantir a cirurgia da esposa com problemas renais causados por um tumor. O hospital alegou que não tem vaga na UTI para o procedimento.

Protesto começou na tarde desta segunda-feira, depois de 31 dias de sofrimento da esposa

Protesto começou na tarde desta segunda-feira, depois de 31 dias de sofrimento da esposa

O homem que se acorrentou é Paulo Rogério Baía, de 45 anos. Ele é diretor da Escola Municipal Lúcia Neves, localizada no Bairro Brasil Novo, Zona Norte de Macapá. A atitude do marido tem explicação. Ele acompanha a esposa Josi da Luz há 31 dias internada no hospital. Ela já foi levada duas vezes para a sala de cirurgia, mas em ambos os casos o procedimento foi cancelado.

josi da Luz

A esposa acompanhava da janela o protesto do marido. Fotos: Cássia Lima

“Ela precisa do leito na UTI para poder se recuperar. Primeiro marcaram a cirurgia e no dia disseram que ela não precisava mais, já que o rim havia voltado a funcionar. Depois desmarcaram de novo e ninguém sabe o motivo. Estamos aguardando e até agora”, explicou o professor ainda acorrentado.

Segundo ele, a esposa, que estava na janela do hospital, está inchada e com dores no corpo. Josi, de 36 anos, é deficiente física.

“Eu não tenho mais alternativa para clamar pela vida da minha mulher. Ainda há pouco me chamaram na administração, mas eu só vou sair daqui quando minha mulher tiver uma data marcada de cirurgia. Até lá, eu não como”, garantiu o diretor que está em protesto desde a tarde de ontem.

Sandro Reis, administrador do hospital conversou com o médico de Josi

Sandro Reis, administrador do hospital conversou com o médico de Josi

A direção do hospital reconhece a demora, mas alega que os cancelamentos de cirurgia se deram por causa da melhora de saúde no estado de Josi. Já a segunda vez foi por causa de uma operação mais urgente que a da esposa do professor.

“Já conversamos com o médico da Josi e estamos procurando a solução do problema. Ainda não temos uma data prevista de cirurgia, mas posso te adiantar que vamos fazer todo o esforço para que isso seja no menor tempo possível”, garantiu o administrador do Hcal, Sandro Reis. No fim da manhã, a cirurgia foi reagendada para esta quarta-feira, 6. O protesto foi suspenso pelo professor também no fim da manhã.

Atualmente, o Hospital das Clínicas possui 9 leitos e um isolamento, mas a demanda é 6 vezes maior já que o hospital recebe pacientes de todo o Estado e ilhas do Pará.

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