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ANDRÉ SILVA

A Comissão de Direitos Humanos da OAB do Amapá decidiu acompanhar o caso da mulher que morreu durante atendimento na Maternidade Mãe Luzia no início deste mês. Ela estava grávida e chegou a cair da maca durante o procedimento de reanimação. Depois de uma visita ao hospital, a comissão afirmou que o incidente poderia ter sido evitado se a solicitação de aquisição de novas macas, feita pela direção da maternidade, tivesse sido atendida a tempo.

A comissão esteve na maternidade na última quarta-feira, 13. O pedido de envio de macas teria sido feito 15 dias antes do incidente.

Detalhe da maca que quebrou. Fotos fornecidas pela OAB

Detalhe da maca que quebrou. Fotos fornecidas pela OAB

O advogado Paulo Leandro Pereira, membro da comissão, mostrou o documento que comprova que o pedido foi feito pelo diretor da Maternidade Mãe Luzia, Walter André. Além de maca, o documento mostra que outros materiais foram solicitados.

“O ofício solicitando novos equipamentos e materiais de procedimentos muito importantes e de extrema necessidade  para o desempenho do serviço dos profissionais que atendem ali foi feito pelo diretor do hospital. Haja vista que os que existem estão em péssimo estado de conservação dificultando o atendimento aos pacientes. Entre os itens pedidos estava a maca”, informou o advogado.                                 

A Comissão dos Direitos Humanos vai apresentar um relatório sobre o caso da paciente e sobre o que foi visto na visita à maternidade. O documento será submetido à presidência da OAB.

Documento da direção da maternidade solicitando novas macas

Documento da direção da maternidade solicitando novas macas e outros materiais

“O relatório será enviado ao Ministério Público por meio da Promotoria de Saúde do próprio MP que vai entrar com as ações judiciais e nós iremos acompanhar”, explicou.

Além do ofício, o membro da comissão mostrou fotos da maca que quebrou enquanto, segundo o ele, o médico que fazia a massagem cardíaca na paciente.

Paulo Pereira, da Comissão de Direitos Humanos da OAB: relatório será encaminhado ao MP

Paulo Pereira, da Comissão de Direitos Humanos da OAB: relatório será encaminhado ao MP. Foto: André Silva

No último dia 6, Elisandra Nobre, de 34 anos, estava no terceiro mês de gestação que era considerada de risco. Ela tinha 124 quilos e na tentativa de ter filhos passou por vários abortos espontâneos.

Elisandra Morreu aos 34 anos sem realizar o sonho de ter filhos. Foto: Arquivo pessoal

Elisandra Morreu aos 34 anos sem realizar o sonho de ter filhos. Foto: Arquivo pessoal

Ela chegou para ser atendida por volta das 11h sentido muitas dores no abdômen. Segundo uma testemunha, no momento em que Elisandra foi colocada na maca o equipamento quebrou.

Segundo laudo da perícia que, ela sofreu morte por hemorragia interna proveniente da complicação na gravidez.

A secretária de Saúde do Estado, Renilda Costa, informou que a Sesa concluiu a licitação para a aquisição de 100 novas macas que serão entregues ainda este mês.

O marido de Elisandra chora ao saber da morte da esposa. Fotos: André Silva

O marido de Elisandra chora ao saber da morte da esposa. Foto: André Silva

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